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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MEUS RICOS MENINOS! (DESABAFOS 7)

MEMÓRIAS COM "TUTANO" !

Os Pais têm os filhos que merecem! A expressão não é minha, tanto quanto sei trata-se de uma frase de cariz popular. Embora a tenha ouvido inúmeras vezes ao longo da minha vida, confesso que nunca estive muito de acordo com ela. (a frase)  Não há regra sem excepção,  Mas, dá que pensar pelo menos! Ora leia por favor.

Em boa verdade lhe digo que a super protecção que alguns Pais dão aos seus filhos  fazem-me lembrar os conselhos que Cristo deu aos seus apóstolos para no fim ser atraiçoado por um Judas qualquer. (esta “tirada” ainda são efeitos da Páscoa passada)

No meu deambular por festas e romarias em que há 43 Anos participo, profissionalmente falando, tenho  assistido a  verdadeiras anedotas de comportamento social que só visto, pois contado é capaz de não ter graça, no entanto deixe-me tentar.

Nos chamados "compassos de espera"  até  que entre em "acção"  dedico-me à observação do meio ambiente que me rodeia na altura, não que eu seja muito pródigo nesta faceta, porque na verdade sou um despistado do caraças, mas quando tenho à minha frente “terrorzinhos” entre os 6 e os 10 Anos que teimam em dar cabo do meu  património enquanto os Paizinhos e as Mãezinhas  estão a "cantar farol" para os “amigos” de ocasião passando eu de músico a babysiter, as coisas mudam de figura.

As histórias verídicas que eu tenho para vos contar nesta área são mais que muitas, mas para não maçar os “meus leitores”, vou-me cingir a duas apenas. Uma podia ter acabado de uma forma “dramática”, a outra quanto a mim foi deliciosamente hilariante.

Então “bora lá”.

Certa Dia fui fazer uma festa de casamento algures numa das muitas quintas onde costumamos actuar, nesse Dia estava o que se chama um tempo de “xaxa”, vento, chuva, frio enfim, pouco convidativo para cocktails ao ar livre, de maneira que os responsáveis pelo catering á falta de alternativas optaram por “enfiar” todos os convivas dentro do salão onde iria decorrer a boda.
Até aqui tudo bem, ainda por cima o salão era enorme. Nós músicos tínhamos o nosso estamine daquele dia num dos topos do salão e havia uma distância de cerca de 20 metros entre nós e as primeiras mesas. Após o cocktail e as fotos da praxe, lá chegou a altura do almoço. Como já me tinha apercebido que naquela festa havia muitos “fofinhos” dispensei as minhas tropas e lá fiquei de guarda ao castelo, afinal já são muitos Anos a ver cenas tristes e já me tornei uma espécie de vidente nesta área. Estava eu ainda a fazer as previsões para o repertório dessa tarde, quando vinda não se sabe de onde, uma bola de futebol cai a escassos metros do palco! Uma bola dirá você? Sim! uma bola bem redondinha made-in-China que me fez arremelgar o olho para a catita e pensar! Mau querem ver que vai haver futebol de salão e eu não fui avisado?

Ainda eu estava a procurar uma boa desculpa para aquela situação, quando um “marmanjão” com aspecto de armário já na casa dos trintas e picos,  salta da cadeira e qual Ronaldo desata furiosamente aos pontapés na "chicha" fazendo da parede lateral do salão uma  baliza. Eu não queria acreditar no que estava a ver e ainda por cima o dito cujo desafiava ferozmente o seu “rebento” a discutir a posse da bola em fintas de "cu aberto" sob o olhar babado da mamã (do rebento claro) que pela cara dela,  devia de estar a ter um daqueles orgasmos tântricos que agora estão tanto na moda nestas gerações de chicos espertos. O marmanjão dava “chutes” na bola que até ecoava pelo salão e eu  à espera que alguém responsável acabasse com aquela palhaçada.

Ao fim de uns bons 15 minutos de tristes figuras com o patrocínio de outros papás que resolveram aderir à jogatina, lá chegaram as terrinas com a sopa e eu pensei...Ufff “tava” a ver que não! Mas qual quê? Foi a vez dos“anjinhos”, “fofinhos” entre outros “inhos” voltarem à carga para mais uma futebolada entre eles.

Só que desta vez os papás estavam entretidos a trocar histórias de como os seus espermatozóides tinham sido capazes de procriar tão garbosos mancebos, como se fossem uns heróis e os “danadinhos” sem nenhum adulto para controlar a cena resolveram que a baliza seria na direcção onde eu tinha o meu material e onde pacientemente aguardava pelo desfecho do jogo. “Tão” a ver a cena do próximo capítulo né?.. Pois!

Ao fim da quarta vez em que forçadamente defendi a bola, resolvi aplicar a táctica do “ralho” de uma forma educada para não ferir as susceptibilidades dos “queridos” e com palavras do género meninos tenham cuidado, meninos vão papar, meninos olhem que podem estragar aqui a música, tudo na maior mariquice claro. Com o passar do tempo o meu “level” de voz foi aumentando e o meu discurso começou a ficar mais acutilante do tipo; Já me estou a chatear com vocês, já chega, daqui a pouco fico com a bola, ao mesmo tempo que punha o meu melhor sorriso de cínico que conseguia encontrar para a ocasião. Eles ainda vacilavam entre 10 a 20 segundos, só que olhavam para os Papás e ao contrário de verem ou ouvirem uma reprovação da parte deles os "matchos latinos" eram sorrisos do género partam essa pôrra à vontade  que isso não é nosso.

Ora bem escusado será dizer que nem no melhor filme de Cowboys e índios eu consigo retratar as investidas de cavalaria de que fui alvo.
Até que numa determinada altura fui obrigado a atirar-me para o relvado para segurar um microfone que tinha caído do tripé vítima de uma bolada certeira que eu não consegui suster L.

Nessa altura passei-me e gritei! Gritei sim!.. a “sorte” calhou ao primeiro que estava ao pé de mim... ACABOU-SE O JOGO!.. O anjinho que se calhar até achava muito natural jogar à bola dentro de casa, que se calhar, digo eu também o faz dentro da sala de aulas, que a rir chama puta à mãe e cabrão ao Pai e eles acham imensa piada porque ele já sabe dizer palavrões, desopilou dali para fora e foi a choramingar para o pé do papá.

Este por sua vez ficou incomodado com a minha atitude e vem em tom recriminatório cobrar a minha maneira de falar, e diz-me: O srº acha (vá lá tratou-me por srº) que isso são maneiras de falar para uma criança? Sabe que o pode traumatizar?

Eu fiquei sem saber se havia de o mandar para o Pai da humanidade, ou mandá-lo falar com ele!

Mas ainda lhe disse delicadamente, O srº sabe Há quantas horas é que eu estou aqui de guarda para evitar que o seu menino me dê cabo da minha ferramenta de trabalho? Eu estou aqui para trabalhar não para ser ama-seca do seu menino não acha? Aliás o srº nem devia de ter permitido que ele começasse a ter atitudes destas numa festa de casamento Não acha?!... Resposta do Papá... Não se preocupe porque se ele partir alguma coisa está aqui alguém que paga os estragos e virou-me as costas (Sem comentários)...

Fiquei a pensar que tipo de filho será este anjinho no Futuro onde as regras mais simples da boa educação não existem, cujo pai acha natural que o petiz esteja a molestar terceiros sob o olhar cúmplice do seu progenitor e que sem tomates para passar um correctivo adequado ao filho ainda vem tirar explicações achando o meu “ralho” de ACABOU-SE O JOGO traumatizante! Pois é será que Hitler, Mussolini, Sadam Hussein entre outros filhos da “P....” não tiveram um Pai Assim?

Resumindo se por acaso a nossa troca de impressões descamba mais, ainda tinha de chamar os meus bodyguards para darem uns tabefes no marmanjão, não acham?

Este Papá até tinha aspecto de ser uma pessoa bem na vida (atenção!) Eu disse bem na vida e não de bem com a vida, mas quis o destino que ele fosse o “tal” que iniciou a futebolada portanto está tudo dito. Por mim que até sou fan do Dr. House faço já o diagnóstico neste caso.MAU FEITIO GENÉTICO!

Agora se tiver paciência leia este segundo caso!.. (Vai ver que não se arrepende)

Once upon a time One litle criancinha (pedagógico né) chegava a uma determinada festa pela mão da sua garbosa mãe que segurava numa mão um cigarro long size e na outra um sumo (acho eu) e qual pastora, trazia à sua frente um fofinho para aí com 5 aninhos de rodagem, que já vinha a “cabrear” desde que saiu do carro, fazendo uma birra cujo motivo desconheço (como se eles precisassem disso) e atirando guinchos que entravam pelos ouvidos dentro como se fossem agulhas. Eu estava para aí uns 10 metros deles faço ideia o que seria “in loco” (dá style estas palavras).

O Paizão um jovem dos seus 30 e poucos anitos de cabeça rapada para dissimular a calvície (Ele não sabe que é dos carecas que elas gostam mais?) fumava a sua cigarrada também e estava a achar imensa piada aos guinchos do fofinho. Bem até aqui nada de novo dirá você! Então para mim, pffff já tenho calo no rabo como o macaco, mas confesso que este puto me "cativou" a atenção e decidi seguir a brilhante performance do petiz.

A mamã muito bonita e elegantemente vestida trazia uma proeminente barriga a mostrar que o seu homem era realmente macho. Sim porque macho que é macho faz filhos. Ou seja, primeiro dão ao cu, depois logo se vê quem é que os atura! Os filhos claro.

A mamã estava visivelmente irritada e lá ia dando uns “ralhitos” verbais porque qualquer outro tipo de correctivo como uma bela palmada estava fora de questão.
Porque  uma agressão é uma agressão! Nos tempos que correm esse tipo de "actuação" paternal começa a ser tabu, mas longe de mim estar aqui a criticar, esta atitude é somente a minha opinião e já explico porquê! Adiante...

(pausa para almoço)..SorryJ

Voltei para acabar a minha “tese” e já estive a rever o que escrevi!  Pronto não devo estar bom da tola para escrever estas coisas mas já que comecei acabo.

Escrevia eu que a mamã estava muito irritada mas o JôJô é que não estava para os ajustes e então vai de espernear, atirar-se para o chão, biqueirada nas cadeiras de plástico e o Pai muito babado dizia... Eh pá o gajo tem o mesmo génio que eu J quando as coisas não lhe corrrem bem, vai lá vai. A mamã é que não estava muito satisfeita e já olhava de soslaio para o seu  garanhão, entretanto uma vizinha já incomodada com tudo o que se estava a passar opinava, umas palmaditas ás vezes resolvem essas birras, responde o Pai... não minha senhora, as coisas não se resolvem com pancada, os meus pais nunca me bateram e isso nunca me tirou da linha e tal e tal e bla bla bla. A pobre mamã já não sabia o que fazer depois aquela barriga já em avançado estado de gravidez retirava-lhe toda e qualquer elasticidade para ir buscar o petiz ao chão quando este teimava em se deitar e esponjar. O fatinho creme já era uma nódoa pegada e ainda não tinham começado a comer, nas mesas em redor os outros convidados lá iam pondo os dedos nos ouvidos quando o anjinho resolvia soltar os seus maravilhosos guinchos que segundo o pai já era hábito dele por isso não havia dúvidas aquilo era birra e mais nada...
Bem estas cenas maravilhosas duraram cerca de meia hora (não esquecer que ele já tinha chegado naqueles propósitos), até que finalmente veio o almoço!

A mamã queria que ele se sentasse na cadeirinha que tinham arranjado para o rebento ficar á mesa mas o anjinho não parava de dar os seus guinchos até que a determinada altura a mamã GRITOU... JôJô se gritas mais uma vez levas umas palmadas no bum bum...O pai retorquiu qual galo na capoeira, violência não! Os meus pais nunca me deram uma palmada sequer, anda cá JôJô (e levantando a voz para a plateia) queres ver como é que se ensina? Senta-te ao colo do Papá e vamos papar ta bem lindo? O lindo fez uma cara feia e a contra gosto lá se sentou ao colo do pai... este por sua vez ainda se levantou e enquanto uma mão segurava o petiz, a outra habilmente desenvencilha-se do casaco e num gesto de malabarismo passou o puto de uma mão para a outra e zás casaco fora, mostrando uma imaculada camisa de marca (não digo a marca que ninguém me paga para isso), depois ajeitou a gravata, esboçou um sorriso de escárnio para a mulher e alguns sorrisos cúmplices com outros machos como a dizer eh...eh..mulheres!

Parte final: Imaginem um rufo de tarola como se estivessem num circo prestes a assistir a um número perigoso... agora fechem os olhos e visualizem a cena!.... Pois se fecharem os olhos não podem ler que estupidez a minha! Bem, vamos lá esfolar o rabo.

Veio a sopita o JôJô não queria comer, o puto esperneava e a mamã já estava a pau com a sua barriguinha e não era caso para menos, o papá continuava a dar uma de macho intelectual de quem está na mó de cima sem perder o perfil, o empregado deita duas conchas no prato pede licença e vira as costas, então não é que no mesmo instante o JôJô espeta uma bela palmada mesmo no meio do prato cheio de sopa...ai...ai...ai o macho ficou com a pôrra da camisa toda suja, a sopa escorria-lhe pelas calças abaixo, o puto agora sim chorava com razão pois queimou a mãozita e surpresa das surpresas o papá pega no puto com uma mão e com a outra puxa a culatra atrás e dá-lhe uma série de palmadas que o miúdo apesar de lhe doer a mãozinha parou logo de chorar?

A mamã grita com um ar vitorioso. Então Dr. bateu no menino? E ele o Dr. da mula ruça muito acabrunhado responde. Bati sim! A paciência tem limites. Pois!....

Entretanto o puto salta do colo dele e desata a correr direito á rua, o papá que estava amuado a limpar a camisa aparentemente esteve-se nas tintas e foi a mamã que teve de ir a correr em cima dos seus saltos altos de 10cm, atrás do miúdo sujeita a cair e a arranjar um grave problema para a sua gravidez.

No meu caso pessoal confesso que o meu Pai espetou-me algumas “tareias” nada de paus ou cintos só mãos e sabem porquê? Porque por algumas vezes lhe assaltei os mealheiros que ele fazia com tanto carinho mas que eu habilmente conseguia com a ajuda de uma tesoura sacar as notas de 20 paus para ir para a gandaia, só que às vezes a tesoura falhava e cortava as notas. Depois quando ele achava que o mealheiro estava e fazer dieta e a perder muito peso rapidamente tinha um palpite, abria a lata e encontrava as notas cortadas nas pontas. Claro não podiam ser ratos, primeiro porque não cabiam lá, depois porque os ratos roem não cortam. Enfim se o meu pai não me tivesse admoestado e me tivesse feito doer, não sei se hoje não seria um potencial vigarista habituado a viver á pala dos outros ou um habitué das estâncias de férias do Linhó, ou do Pinheiro da Cruz. Por isso abençoadas “pisas” que eu levei porque afinal eu merecia. E quer  acreditem ou não as mazelas que eventualmente eu possa ter hoje não têm nada a ver com as reprimendas do meu pai e ainda vos digo só se perderam as que caíram no chão. Não sou a favor  da violência, tenho 2 filhos e nunca lhes bati, vontade não me faltou, mas não “mamaram” porque não calhou, a minha protecção é que tem limites e não a minha paciência.

Ainda há um Mês atrás num torneio de karate para juniores vi atletas a lutarem com lealdade procurando vencer sem magoar tudo dentro das regras e vi Pais a gritarem palavras de ordem do género dá-lhe pá, com força pá, não tenhas medo, parte –lhe as trombas, vai te a ele etc. etc...  no entanto é por estas e por outras é que os fofinhos de hoje dão em maricas amanhã (não confundir com gays) mas isso fica para outro Post, são uns irresponsáveis e depois quando já estão fartos de boa vida muitos começam a pisar a red line e depois lá vem a célebre frase. Anda um pai a criar um filho com tanto amor e carinho para depois.......
È no presente que se constrói o Futuro, para se ser um bom Pai tem de ser um bom filho primeiro.
Quem nunca errou que atire a primeira pedra, mas para os que andam com ideias de procriação antes de darem ao cu pensem bem se tem condições para meter uma criança no mundo e nunca mas nunca os tratem como um brinquedo que se pode partir a qualquer momento.
Quando eu era miúdo brincava muito com papagaios de papel eles voavam ao sabor do vento sim, mas quem tinha a guita para os fazer descer era eu e quando ele se descontrolava  por alguma rajada de vento súbita, eu estava lá para no mínimo ajudar.

Não sei se a minha conversa faz algum sentido para alguém. Para mim tornou-se mais claro que proteger não é ser moderno e liberal. Proteger é sensibilizar, responsabilizar e respeitar o próximo. Tenho dito

Tá dito, Tá feito! (Carlos Camarão mentor do projecto musical Companhia Limitada)