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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

ESTÃO VERDES NÃO PRESTAM!

  
Desabafos 6)
Hoje, vou começar por agradecer a todos os internautas que visitam o nosso Blogue, para lerem os nossos desabafos e em especial, aos que me contactam no sentido de me incentivar a levar menos tempo a “desabafar”J. Agradeço o apoio, mas vamos com calma, ok?

Também já me perguntaram, o que é que eu pretendo com os meus desabafos?
Nada! Mas nada mesmo, a não ser desabafar.

Procuro acima de tudo manifestar a minha opinião sobre um determinado assunto, que tem necessariamente a ver com a minha faceta de músico.

Posto este intróito, vamos lá à “vaca fria”.

FUI AO KARAOKE!

Nesta altura, os “velhos do Restelo”, já estarão a pensar, “olha p’ra ele, tem-se negado a adoptar esta mais-valia para juntar à sua actividade de músico e agora, também vai ao Karaoke!”
Mas não se iludam, ainda não foi desta vez que cedi e passo a explicar.

A minha presença, teve como finalidade, participar como jurado numa semi-final de um concurso de Karaoke, no Violet Café, sito na Moita.

Em Outubro, a Ana Cruz, convidou-me a estar presente numa eliminatória de um concurso de karaoke que ela e o seu companheiro Rui iriam promover. Depois de várias tentativas infrutíferas, da parte dela em poder contar comigo, ontem lá calhou.

Quem é a Ana Cruz?

A Ana é uma “performer” de mão cheia, na área da dança de salão. A primeira vez que a vi actuar, foi num baile da pinha que estava a fazer com os Companhia Limitada, na União de Coina e já lá vão uns 7 anos pelo menos. Nessa noite, a escola de dança de salão da Capricho Moitense, foi fazer uma demonstração daquele estilo de dança, com as suas alunas distribuídas por vários escalões etários. Ao solicitarem-me apoio relativamente ao uso do meu sistema de som, acabei por ficar mais atento quer às faixas dos instrumentais que ia pondo a tocar, quer à execução dos bailarinos que por ali se iam exibindo.

Apercebi-me, de imediato, que havia ali muito potencial e muita dedicação. A uma determinada altura, a Ana, entra para fazer a sua exibição e ao fim de 2 minutos eu estava completamente rendido ao seu talento. Dona de uma silhueta de cortar a respiração, ela fazia a diferença pela maneira como se apresentava, bem maquilhada e excepcionalmente segura, fazia do corpo o que queria com tanta graça e leveza que arrebatava aplausos constantes dos espectadores. Anos mais tarde, ainda colaborou com os Companhia Limitada num show temático criado por nós, que apelidámos de “Grandes Ritmos Grandes Canções”.

Em conversa de bastidores, várias vezes lhe vaticinei um futuro repleto de sucesso mas, inexplicavelmente, para mim claro, a Ana, apesar do seu enorme talento, continuava a ter um sucesso medíocre para o potencial que desenvolvia. Entretanto, deixei de ter qualquer contacto com ela, lembro-me apenas de a ter visto dançar, numa festa de carácter particular, no Ginásio da Baixa da Banheira, mas confesso que naquela altura, ela já não tinha no olhar aquele brilho especial que um dia me deliciou. Achei-a desmotivada e pensei, o que se estará a passar com esta “miúda”? Pareceu-me abstraída e acima de tudo muito rotineira. Naquela exibição ela limitou-se a fazer o trabalho de casa, mas todos nós temos dias ou épocas em que até os “cãezinhos nos mijam nas pernas” e é nessas alturas, que muitos talentos com promissoras carreiras, ficam pelo caminho.

Quando ela me disse que agora se dedicava a fazer Karaoke, fiquei surpreendido porque, definitivamente e na minha opinião, aquilo não era a “ilha dela”. No entanto, a Ana hoje é uma jovem adulta que tem de procurar o seu sustento e trabalhar não é desprezo. Ao comentar esta nova faceta da Ana com um amigo comum, ele disse-me que ela também canta muito bem. Será?

No dia 14/12/11 não tive o prazer de a ouvir.

Mas ouvi os 12 concorrentes que se apresentaram para defenderem uma passagem à final. Eu fui logo avisando que não estava ali para julgar ninguém e sim, para analisar, ajuizar e porque não,  aconselhar os participantes?  

Era conhecedor do regulamento e calhou-me 4 concorrentes, relativamente aos quais tive de opinar directamente. Tenho plena consciência de que fiz um bom trabalho. Não estava ali a ganhar nada, não conhecia quem ia participar, logo não havia ali qualquer tipo de favorecimento. Além do mais, quem me conhece sabe que, na música, não faço favores. Quando me pedem uma opinião eu dou-a, mas sempre consoante o objectivo de quem ma pede.

Por exemplo, se o objectivo de quem me procura é cantar na banheira ou na festa de anos da mana ou ainda no baptizado do primo, a minha postura será uma, se é para se divertirem no Karaoke, será outra, mas se for para tentarem a via profissional então aí eu sou mais "chato que a potassa". Se na minha opinião, eu achar que o melhor é “dedicarem-se à pesca” (e já o fiz inúmeras vezes) eu tenho coragem para o dizer cara a cara. Não procuro desculpas, nem ponho flores e às vezes, passo de Anjo a Diabo, enquanto o dito esfrega o olho, mas por aí, durmo descansado com toda a certeza. 

Mas ainda há os teimosos, os que não desistem e isso eu não deixo de louvar, mas os “bobos” da corte ou os cromos como os concursos televisivos lhes chamam, desses não tenho dó nem piedade.

Cada macaco no seu galho ok?

Não tenho pachorra para atitudes ridículas e “chorinhos” histéricos  mimados que acabam, na maioria das vezes, por serem confortados nos abraços dos papás ou do(a) namorado(a) que, para defender a sua “dama”, arrasam os jurados sem sequer tentarem perceber, se houve ou não razão para uma tal nega.

É claro que em programas como Ídolos ou Operação Triunfo, o factor “C” funciona muito bem e continua a ser imprescindível e que as audiências têm de serem mantidas a qualquer custo. Toda a gente sabe que qualquer um destes programas, movimenta largos milhares de euros, que têm de ser rentabilizados dê lá por onde der e doa a quem doer. Mas há pessoas vão para ali como se não houvesse amanhã. A culpa não é só dos candidatos, é também de quem lhes meteu na cabeça que eles e elas cantavam muito bem e que estavam prontos para se meterem naquelas lides.

“Mau” é quando os concorrentes viram a sua vida de avesso, desestabilizando todo o seu equilíbrio psicológico, para perseguirem uma quimera criada por estas pessoas.

Pior, é quando acreditam piamente na opinião “supra sumo da barbatana” de um jurado tipo Luís Jardim, um nome sonante da nossa praça, que faz alarde de ser um grande produtor, que já trabalhou com A e B, que puxa dos galões constantemente para justificar as suas opiniões enquanto júri dos programas de cantigas na Tv. Eu acredito nele e até o admiro, mas quando ele é capaz de produzir e dar a cara pelo disco de uma aberração, que se dá pelo nome de Castelo Branco, borra-me a pintura toda.

Ora quem faz um cesto, faz um cento e estas atitudes só me demonstram que a bota não bate certo com a perdigota.

E das duas uma, ou ele está muito mal de finanças, ou então está necessitado de protagonismo. Mas ainda assim, reconheço o extraordinário talento  que tem como músico, porém já não penso o mesmo quando ele faz de júri e promete mundos e fundos aos concorrentes com quem engraça. Se estou enganado, então ele e todos os que entram nestes processos de “ajuizar” publicamente, tenham outra postura para não me deixarem dúvidas.

Mas porquê este exemplo, pensará você!

Só para o leitor perceber o quanto nefasta é a opinião  destes senhores,  que têm todas as capacidades técnicas para dizerem a verdade e de repente pôem-se à mercê dos jogos de  bastidores onde pululam vários interesses, e fazem da boca "cu" constantemente.
Consegue o leitor(a) perceber, o impacto que sofre psicologicamente um candidato que vai a um casting, já depois de ter batido karaokes, ganho concursos, e alguns até com anos de palco, quando sem mais nem menos uma alarvidade destas que pode até ter vontade de dizer umas coisas simpáticas, mas como alguém na régie lhe diz, “malha à vontade que este não interessa”  ele desata a fazer graçolas de mau gosto, sem se importar como é que o concorrente fica?

Eu sei, eu sei, quem anda à chuva molha-se, e só lá vão porque querem, mas se estes “juízes” são tão bons profissionais, porque se sujeitam às regras do jogo mesmo contra a sua vontade? Também só lá estão porque querem, ou será por Patriotismo?
Quem ajuíza deve de ter conhecimentos e sensibilidade humana para o fazer, senão todos os advogados eram juízes. Eu escrevi ”deve de ter”, porque a frase correcta seria tem de ter.


Ridículo é quando uma Conceição Lino, uma Clara de Sousa ou a uma Rita Pereira, aparecem a “julgar” nos concursos de cantigas!?!?!... Pergunto-me, mas estes gajos da TV acham que somos toda uma cambada de otários? O que é que elas percebem da poda????? Então não se ponham a divagar sobre o que não sabem, que nós músicos também não discutimos jornalismo e novelas com elas.

 Na prática o que é que eu quero dizer é que (e parafraseando a minha mãe) “isto é tudo um “Corujedo senhor Alfredo”.

Não estou a tentar denegrir o nome e as pessoas em si, mas sim as figuras a que se sujeitam  fazer, a troco de protagonismo e dinheiro.

E agora dirá você!

OLHA O MARMELO! E SE FOSSE CONSIGO NÃO FARIA O MESMO?

Possivelmente faria, mas com o pano à vista é que eu talho a obra!

Eu explico.  

Se apanhar uma daquelas pessoas que precisam muito, muito, muito que lhes massagem o ego para se sentirem bem, eu acho, repito acho, que poderei ser um pouco “maleável”. Mas só se me convencerem que andam com a moral em baixo e que não vem daí mal ao Mundo.

Mas no caso concreto de um concurso onde se percebe á primeira vista o empenho, com que todos os candidatos se apresentam a minha natureza, não me deixa ser  de outra maneira e  comigo é,  pão, pão, queijo, queijo.

Eu tenho levado a minha carreira de músico constantemente a ser julgado, a mim nunca ninguém me deu nada, o pouco que tenho conseguido, tem sido com suor e lágrimas, daí que todas estas pessoas, tenham logo à partida o meu respeito, porque hoje eles, amanhã eu.

Falo somente o que a minha experiencia de 43 anos como músico, me dá autoridade para falar. Pode ser o jovem mais simpático ou a miúda mais fofinha, afina tudo pelo mesmo diapasão. Mereceu uma boa apreciação, pois não me coíbo de enaltecer seja quem for. Não esteve à altura, pois volta a tentar que é o que eu tenho feito desde os meus primórdios como músico. Não há rebuçados nem chupas de consolação. 

Fiz-me entender? Então vamos lá concluir este desabafos 6.

Mas quem são estes gajos?.......

Contou-me uma amiga que um  senhor, que se encontrava perto do balcão que o dito a interpelava numa tentativa de meter conversa, ao mesmo tempo que reclamava das decisões que os 3 jurados iam proferindo. Ele, devia estar num daqueles momentos de “orgulhosamente” só, porque não ouvi ninguém reclamar. Alegava ainda, que era um dos patrocinadores do concurso e que estava aborrecido porque “ninguém lhe tinha apresentado os jurados e não tinha sido só naquela noite”.
 Atenção Ana, atenção Rui, tentem reparar essa falha.
Patrocinador, mais ou menos chato, tem alguns direitosJ

Alegava ainda, que os jurados estavam a ser muito rígidos e que tínhamos de perceber que, os concorrentes são amadores e “estavam ali só com o intuito de se divertirem”.

COMO É QUE É?

Essa nãooooooooooooooooo!

O Karaoke vira divertimento, quando é aberto a toda a gente. Agora quando vêm concorrentes do Barreiro, Baixa da Banheira, Palmela, etc. Etc., a meio da semana, gastar dinheiro e tempo e sair á 1.30h da manhã de um concurso, ninguém me consegue convencer que estão ali só para se divertirem.
Estão ali com mais ou menos mérito, porque alguém os elegeu mas todos querem ganhar, principalmente quando está em jogo, um prémio em dinheiro.

Eu vi no rosto da maioria dos participantes e, principalmente, dos respectivos acompanhantes, a contrariedade que mal conseguiam disfarçar quando os jurados tinham uma opinião contrária à que esperavam.

No entanto, não deixo de dizer, que o patrocinador tem alguma razão, o Rui  vai ter, digo eu, de chamar os júris um a um e deixar que eles próprios se apresentem, até para os concorrentes poderem perceber que não é o Jota que toca campainhas de portas e não percebe nada de música que hoje vai estar ali a ajuizar, ou julgar as performances de cada concorrente.

Por sua vez os concorrentes, não devem de minimizar a opinião dos jurados sem mais nem menos e porquê? Porque lá por não os conhecerem, não quer dizer que não tenham uma opinião mais válida, que aqueles que são pagos  a peso de ouro para o fazer.

Mas o caricato acontece, quando por exemplo o “Jaquim das Tortas” que gravou, a expensas suas, 2 discos que nunca venderam nada que valesse o investimento, mas lá porque foi um dia à Tv. da Júlia, do Goucha ou da Fatuxa, o concorrente já acha que tudo o que ele diz é que tem valor. Muitas  vezes chegam até a ficar intimidadosL

90% Desses cantantes, só conseguem olhar para o seu umbigo, dão-se ares de vedeta, mas muitas vezes não percebem nada do que estão a dizer. Infelizmente e só porque estão a ser avaliados por  figuras mais mediáticas que eu, o “Zezinho” ou a “Ritinha” ficam fascinado(a)s com as tretas que eles dizem tipo, “cantaste muito bem”, “és um espectáculo” e sem esquecer o célebre “Vai em frente nunca desistas”

Isso é maldade! Porque se esquecem de dizer: “cuidado que podes partir a cara logo na primeira porta que bateres”.

Estão a criar falsas expectativas numa pessoa que se for, eventualmente, fraco de espírito e acreditar nestas patranhas de conveniência, acaba por arranjar sarna para se coçar.

E depois, se aparece o aqui o vosso amigo C.C., que o concorrente nunca viu mais cabeludo a dizer é pá isso foi um bocadinho melhor que péssimoJ sou logo excomungado porque os candidatos Zezinho e Ritinha, tinham estado noutro concurso de Karaoke onde um clone do “Jaquim das Tortas” tinha sido júri e lhes disse que eles cantavam muito bem.
Oh é canja!
Passo de bestial a besta num abrir e fechar olhos.

Apesar de toda a experiencia que adquiri ao longo dos anos, não consigo avaliar concisamente um candidato através de uma canção, a menos que, ele seja uma autêntica cana rachada. No entanto, quando estamos perante alguém que é possuidor(a) de uma voz equilibrada é possível avaliar, com toda a segurança, se cantou afinado ou não e se a interpretação foi ou não meritória. Posteriormente poder-se-á, eventualmente, analisar outros potenciais, agora não me convidem para ir sentar o distinto “rabo” numa cadeira de “suma-pau” e ter que ser simpático, porque os concorrentes estão ali para se divertirem.

Se assim fosse, ninguém se iria inscrever para participar num “concurso” cujo sinónimo é competição, palavra que, de imediato, nos sugere prémio.

Não queiram ser como célebre raposa da fábula antiga, que toda convencida que ia alcançar com um salto, as uvas que estavam penduradas numa videira a uns metros do chão, depois de muitas tentativas e ao ver que não conseguia, exclamou:

AH ESTÃO VERDES! NÃO PRESTAM!

Sejam humildes, pacientes e por muito que “chovam” os elogios, descontem sempre 80% dos mesmos, porque muitos são dados umas vezes por simpatia outras para parecer bem. Lembrem-se que não estão sozinhos neste Mundo do “showbusiness”. Insistam sim, mas nunca percam a noção do ridículo, que de um momento para o outro nos pode atingir. Cuidado, não vão para além dos vossos potenciais vocais, não imitem, tentem criar o vosso próprio estilo e tenham muita saúde porque tudo o resto? São trocos.

Tá dito, Tá feito

Carlos Camarão músico (mentor do projecto musical Companhia Limitada).





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