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quinta-feira, 12 de abril de 2012

A MINHA PRIMEIRA VEZ Parte II ( Desabafos 12 )

A MINHA PRIMEIRA VEZ Parte II 


Começo desde já por agradecer, o feedback que os meus desabafos têm tido. O mais gratificante para mim, é ver no blog, o número de entradas a aumentar significativamente ao mesmo tempo que, vou recebendo e-mails de “pessoas” que comigo “contracenaram” noutras cenas dignas de partilha, as quais me vão sugerindo novos desabafos.

Bom e como o tempo é “coisa” que tenho de gerir com muito cuidado, apesar do prazer que me dá saber que quem lê os meus desabafos se diverte muito, tal facto está-me a tornar num escritoholic inveterado e espevita a minha criatividade.

Por isso Bora Lá!

Se ainda está recordado(a), fiquei naquela parte em que a excursão do pica o olho, tira o dedo do croquete (versão Artur Garcia) se encontrava parada no meio dos Pirenéus por falta de gasóleo, a caminho de Chamberry. Ora como não poderia deixar de ser entre bons portugueses, os 2 motoristas contratados para se revezarem, com o intuito de chegarmos mais depressa, iam tentando encontrar a todo o custo, um bode expiatório para aquela situação insólita.

Sendo certo que o último a conduzir seria o culpado de toda aquela situação, pois deveria ter prestado atenção ao ponteiro do gasóleo, que assinalava correctamente a falta de combustível, portanto ali não havia desculpa.

Às 21h e qualquer coisa e ao perceberem que se estava a preparar um motim , os motoristas resolveram ir investigar por sua conta e risco se havia por ali uma povoação, ou quiçá, uma milagrosa bomba de gasolina, enquanto nós ficámos a gelar, pois sem aquecimento a situação era deveras muito difícil e percebam porquê.

O frio era de lascar e cada vez que alguém precisava de ir à rua aliviar a bexiga, porque duvido que alguém tivesse coragem de meter o rabiosque ao léu, a porta abria-se e o frio entrava à bruta e sem pedir licença de permissão.

Aposto que está a pensar! Aliviar… e só a bexiga?

Então e Carlos, não estava com um problema intestinal por ser glutão e ter mamado 2 sandes de Jamon pata negra e 9 pacotinhos de leite com chocolate? Então o Carlos, não foi o tal que queria aliviar a “tripa” em plena “autopista”, algures em Espanha?

Sim! Mas se também está lembrado(a), eu na altura já estava no processo inverso ou seja, depois das descargas massivas que fui obrigado a fazer, entrei em recessão (efeitos da troika, mal sabia eu) e passei à fase da prisão de ventre. Bem, nesta altura não sei se seja mais explícito ou se ponha flores no meu relato, mas ou conto como foi, sem tabus literários ou então, salto já para o “the end”.

As horas foram passando lentamente, o puto da frente estava com uma espertina levado da breca, pois não dormia nem que eu lhe contasse a história da branca de neve e dos 7 anões, mas como não lhe queria dar mais “cúnfias”, ia mantendo os olhos semicerrados, mas sem o perder de vista.

O “gajinho” punha-se então: “Oh senhor, senhor, o seu amigo já tá melhor?” Mas eu não abria os olhos e ele tornava: “Oh senhor, senhor, o seu amigo é muita peidoso não é? “

E…. gaita, não é que aquele pequenino ser “embirrante”, com todo este argumento me arrancou uma sonora gargalhada, que teve o condão de o pôr aos saltos no banco e a gritar ele peidou-se, ele peidou-se, eu solidário dizia com alguma fleuma, o puto está a falar do Paulo, depois adicionando aquele olhar de cuidado com o papão, dizia-lhe: “deixa-o dormir senão ele volta ao mesmo”.

E fui continuando a compor a história a meu favor, já que o Paulo realmente dormia como uma pedra. Só que o “pestinha” não me dava tréguas, pois enquanto tirava “perdigotos” do nariz e os colava na cabeceira do banco, continuava a pular enquanto gritava novamente, é este, é este e eu muito corado pus-me de pé apontando para o Paulo enquanto dizia para a geral, coitado acontece a qualquer um né? De repente, já toda a gente ria a bandeiras despregadas, muitos acordavam e sem saberem porquê também se riam. Suponho, no entanto, que alguns se riam, não pelo que se estava a passar, mas sim por estarem sob os efeitos da água-tinta que tinham trazido lá da região.

E assim se foram passando as horas. Às 7 da manhã, finalmente começou a raiar o dia, aos poucos começámos a perceber onde nos encontrávamos e caro leitor(a) não sei se vai acreditar, mas estávamos parados a sensivelmente 50 metros de um posto de abastecimento. Mesmo atrás de nós, lá estavam as benditas bombas de gasolina, os motoristas quando saíram foram para Sul e a bomba estava para Norte.

Bem agora sim, já toda a gente ria e batia palmas, também não era para menos, dado que havia um timing a ser cumprido.

Depois de abastecido o autocarro, lá nos pusemos em marcha com o corredor do dito, sempre apinhado pelos meus colegas de viagem, que faziam parte do rancho e que não se inibiam de “arrefinfar” mais uns “bailinhos”, ao som das concertinas, dos ferrinhos e do tambor, tudo isto sob os olhares divertidos da Maria de Lurdes Resende e da Cecília Cardoso (irmã do grande artista, Gabriel Cardoso), que contrastavam com o ar enfadado do Artur Garcia.

E chegamos finalmente a Chamberry, eram 14.30h, estavam 7 graus de temperatura máxima.

Estávamos em França! Eu nem queria acreditar que estava tão longe de casa, sentia-me feliz, mas calculem, com saudades do meu Portugal.
É verdade! Tinha saído do Barreiro há menos de 48 horas e já estava a bater-me uma nostalgia danada, é por isso eu dou muito valor a quem tem de emigrar, mas adiante.

Quando chegámos, fomos directos a um complexo desportivo que tinha um edifício do tamanho do nosso Pavilhão Atlântico, fora do dito, podíamos imaginar facilmente que estávamos numa festa popular, mas cá no nosso cantinho à beira-mar plantado, tudo porque havia inúmeras barraquinhas de comes e bebes que estavam abastecidas da boa pinga, do robusto casqueiro e no ar pairava um cheirinho a bacalhau assado e “sardines”.
Ora isto foi o mote para os dançarinos do rancho montarem ali o estaminé e darem logo o seu show.

Nesta altura, o Luís Novaes, chega ao pé de mim e diz-me: Oh Carlos Camarão, você não quer montar já o material, para o motorista levar o autocarro para o estacionamento, que ainda é longe daqui? Eu olhei-o de soslaio e retorqui: “Heeeeeeeee lá, estou há 2 dias sem me lavar (porcalhote né? Tá bem tá, só queria ver se fosse consigo!), estou cheio de fome, cansado e mesmo assim troco tudo por um banho bem quente e uma cama, No entanto, se é mesmo preciso vamos a isso!” Pelo que, num tom pouco convincente e fazendo das fraquezas forças, chamei as tropas com um vamos lá pessoal.

Entretanto as nossas “vedetas” e familiares não saíram do autocarro, também não estava à espera que eles viessem ajudar, com o pessoal do rancho também não se podia contar, porque eles nesta altura já enfardavam à força toda umas “sardines” e uns coiratos, acompanhado de um lindo carrascão que até tingia o copo, estando-se nos “tintos” para nós. (gostam do trocadilho?)
Logo ali prometi, amanhã se precisarem de som vão ligar a “porra” dos garrafões ao rabo e amplifiquem as concertinas por aí.

Bem escusam de pensar, se eu fui capaz de tal coisa porque, para variar, não fui . Isto foi o cansaço e a “porra” da prisão de ventre que me deixou super mega irritado.

Entretanto ao ver o Luís Novaes meter-se no autocarro com as “vedetas” fui ter com ele e perguntei-lhe: Então e onde é que a gente vai dormir e comer? Ele com aquele sorriso de galã respondeu-me: Nós vamos à frente para prepararmos tudo para vocês, depois mando alguém vir cá buscar-vos  e assim sem mais mas nem menos mas, ala que se faz tarde.

Lá fomos nós montar o material para o “day after”, enquanto íamos “mastigando” o cheirinho que vinha da rua, ás “sardines”, aos coiratos e ao nosso amigo “bacalau”.

Já eram 18 horas e o Luís Novaes sem aparecer, nem ninguém nos sabia dizer nada sobre o que fazer a seguir, eu já estava a ficar desesperado. Passado mais algum tempo lá ele chegou, acompanhado de 2 senhores da organização, em duas carripanas do tempo da 2ª guerra mundial e metendo a cabeça de fora gritou, entrem que temos de ir jantar!

Fome nós tínhamos, mas eu precisava mesmo era de um bom banho e a noite prometia que se ia estender, já que o Luís Novaes, tinha trazido de Portugal uma máquina de projectar filmes do tempo da Maria Cachucha, com 3 bobines que continham o filme Português PÁTEO DAS CANTIGAS. A ideia era: a seguir ao jantar iria haver uma sessão de cinema gratuita, para os conterrâneos residentes, numa colectividade lá da vila de Chamberry, mas como eu só queria um banho, puxei então dos galões e disse-lhe: não vou para lado nenhum sem tomar banho e ponto final.

Bem o Luís que ainda não tinha visto o “cu” à carriça comigo, pôs-se em sentido e num “franglês” da pré-história lá deu indicações para os senhores nos levarem ao hotel, que não era mais que uma residencial já muito antiguinha, mas asseada e organizada. Tão organizada, que o dono da mesma tinha colados, logo à entrada, uns recortes dos jornais da região onde aparecia a sua foto, relativos a uns artigos onde declarava que não era homossexual.

Perguntei então ao Luís: Os nossos quartos são onde? No 2º andar respondeu ele. E aí vou eu pela escada acima, enquanto me imaginava sentado na sanita a aliviar as minhas mazelas gástricas e por fim um belo banho quente, um jantar que prometia e uma sessão de cinema era bom demais, para ser verdade, mas a minha fé dizia-me que o meu desejo estava ali, à distância de 20 e poucos degraus.

O meu companheiro de quarto era o Paulo, sempre o foi enquanto tocou comigo no Holiday e andámos a palmilhar Portugal de lés-a-lés e eu piamente implorei-lhe: Paulo deixa-me ir já, já, à casa de banho.
Ele como bom companheiro que foi, cedeu ao meu pedido e triunfante lá entrei no quarto de banho, enquanto ele desfazia as malas.. Sento-me na sanita e para meu desespero o trato intestinal ainda estava a reclamar o raio das sandes do Jamon pata negra e os pacotinhos de leite com chocolate e “chiççççççççççççaaa” não consegui mesmo fazer nada.

Bem, é melhor dispensar agora alguns pormenores menos agradáveis de ler e passar já ao banho.

Dispo-me todinho da silva e olho para aquela banheira, que eu ia encher de água até ao máximo.
Convém não esquecer que a temperatura na rua, era de 6 a 7 graus, coisa pouca já se vê, de maneira que eu precisava de um banho escaldante para arrancar a sujidade de 2 dias de viagem. Abro a torneira da água quente e ???????

NÃO HÁ ÁGUA QUENTE?

Grito desesperado…. Óh Paulo vai lá abaixo, perguntar ao gerente porque carga de água não há a dita quente, na torneira? E apesar de tudo, ainda consegui gracejar com um agora vê lá se ele te assalta

E lá fiquei eu a tremer todo em pelota, naquela enorme e gélida casa de banho.

Passado um bocado o Paulo veio dar-me a notícia, de que o gerente pedia muita desculpa, mas as vedetas, que tinham vindo à frente com a família, haviam gasto a água toda da caldeira e que o Luís Novaes lhe disse, que estavam todos à nossa espera para jantar.

Bem a paciência tem limites, pelo que desatei a largar uns impropérios à altura da minha pouca sorte do momento e num gesto de valentia, misturada com alguma debilidade mental anúncio com um meeeeeeeeeeeeerda eu sou um homem ou sou um rato? Vou tomar banho de água fria e pronto!

O Paulo olha para mim com uma cara de gozo e diz: Carlos não sejas doido, a água deve estar gelada… e eu: Quero lá saber, já tomei banho nas águas de Arrábida e Sesimbra e esta não deve ser pior e atiro um último aviso para a porta: Obrigadinho mas agora vou tomar banho, quem quiser que espere que eu estou farto de trabalhar… e todo nu, venho à porta gritar para as escadas, é de água fria porque há pessoas muito egoístas nesta excursão do picó-olho.

Nisto, olho para o lado e vejo o gerente, o “tal” de olhos muito esbugalhados a olhar para mim assobia e diz uh uh la la

Vai prós tomates pá!

Disse-lhe eu no meu bom Português e fui direito à banheira, meto-me lá dentro não sem antes o Paulo me voltar a dizer: Olha que água está gelada Carlos e eu: Quero lá saber, sou um homem ou sou um rato? E salto para dentro da banheira, abro o chuveiro e ???????????? Oh céus, oh maldição, oh filhos da P…….. que me gastaram a água quente….

Eu sou um rato!

Parecia que me tinham enfiado um foguete pelo rabo acima e num salto acrobático, saio da banheira a toda a pressa. A pressa é inimiga da perfeição, os pés escorregam-me e eu vou direito ao armário que estava na casa de banho, agarro-me à porta, a porta parte-se, cai-me em cima do pé direito, eu com as dores começo a saltar ao pé coxinho e a rodar sobre mim mesmo e zás, dou um pontapé num jarrão de loiça chinesa que cai no chão e se parte em mil pedaços…

Naaaaaaaaaaaaaaão! Agora estou mesmo danado a sério, venho novamente todo nu para a porta a coxear, abro a dita e uso o meu reportório de impropérios, na sua totalidade. Gritei, ameacei, jurei vingança e bati com a porta, umas 10 vezes. Depois fui para a cama amuado e já não queria saber de jantar nenhum… O Paulo assistia a isto tudo, impassível e mal dele se se risse.

Ao fim de uma hora e depois de muitas chamadas para o quarto para me despachar, lá resolvi levantar-me, vesti a mesma roupa e tentei ir jantar, porque há 2 dias que andava a comer sandes e adivinhem do quê?
Quando desço as escadas, já estava tudo no hall de entrada da residencial a gozar o prato, mas ninguém se atreveu a abrir a boca e lá fomos direitos a um restaurante que se chamava Pomme de Terre.

Ali tive uma nova primeira vez, porque nunca tinha comido batata pré-frita congelada.
Cá em Portugal ainda não havia sido comercializada, acho eu.

Era o cartão de visita do restaurante, uma travessa carregada de estaladiças batatas fritas, acompanhada de uma salada de alface e tomate. A carne vinha depois, só que a fome era tanta que, quando chegou a carne, já eu tinha virado uma travessa inteira de batatas. Ainda hoje estou para saber o que se comia primeiro, se eram mesmo as batatas ou se era para esperar pela carne, mas pronto era a minha primeira vez né?

Tenho desculpa ou não por ser virgem?
Ah pois!

Depois de 3 travessas de batatas e carne da boa, lá fomos direitos à colectividade para assistir ao filme o Pátio das Cantigas.

O Luís Novais, levou uma eternidade para colocar a película na máquina e a sala estava cheia, quando conseguiu colocar o filme, foi para junto do ecrã e fez as honras das casa com os agradecimentos e os blá blá blá blá normais, levou os aplausos da praxe pediu silêncio e disse: Agora vão ficar com as imagens do filme O pátio das Cantigas, que fiz questão de pedir à Tobis que me cedesse as bobines, para poder trazer até vós um pouco do nosso Portugal… O vosso silêncio por favor.

E com um ar de pompa e circunstância, num gesto calculado, manda apagar as luzes da sala, leva a mão ao start da máquina, liga-a e PooooooooooooooooF  a lâmpada fundiu-se!

O Luís não tinha trazido nenhuma suplente. Ás 22 h naquela vila, duvidava que houvesse uma lâmpada para uma máquina de projectar do tempo da Maria Cachucha.

Mas o Luís Novais era um experiente locutor da Emissora Nacional e com uma calma aparente, puxa de uma cadeira e conta o filme todo em pormenor.

Acabada a sessão/palestra sobre o filme, lá fomos para a residencial, pelo caminho já eu programava a vingança que se deve servir fria e, por falar em fria, a água continuava na mesma.

Lá chegados, fui ter com o gerente e subornei-o com um sorriso e uma piscadela de olho. Pedi-lhe, no meu Francês do Alfredo da Silva, para me arranjar uma toalha e um despertador, ele percebeu logo à primeira, quando me passou a toalha faz me uma festinha na mão e disse pardon mon chéri eu sorri e pus-me na alheta, antes que, sei lá, afinal estava tudo a ser a minha primeira vez, fui logo andando para o quarto e deixei lá o Paulo para resolver o assunto, ele sim falava melhor Francês que eu.

Deitei-me desconfortável, 3 dias sem me lavar deixavam-me nervoso e cheio de comichão, mas estava tão cansado que adormeci logo. Às 5 da manhã, levanto-me sorrateiramente e pé ante pé vou direitinho à casa de banho a cambalear de sono, os cacos do jarrão já tinham sido apanhados, agora a porta lá estava encostada a uma parede.

Vou direito à banheira e abro a torneira da água quente e milagre, quentinha da silva, encho a banheira até acima e vou para a sanita, desta vez os intestinos já estavam a funcionar bem, só que entretanto, a água ficou fria porque levei muito tempo na sanita (que conversa né, tem de ser com todos os pormenores, afinal estou a falar da minha primeira vez) mas não há crise, esvaziei a banheira toda e voltei a enchê-la outra vez. Mergulhei lá dentro a desencascar-me, enquanto imaginava quantas vezes teria de encher e esvaziar a banheira para gastar a água toda da caldeira.

Estive de molho até ficar com as mãos engelhadas, depois fiz a barbinha, afinal era o dia da festa e tinha de estar apresentável. Vesti-me e voltei para a borda da banheira.

12 , foram as vezes que enchi e vazei a banheira, depois já nem quente nem fria corria da torneira. Fui-me então esticar em cima da cama e deixei-me dormir. Acordei com a Maria de Lurdes e a Cecília Cardoso a discutirem com o gerente, porque queriam tomar banho e não havia água… Oh que chatice , tenho tanta pena… Saio cá para fora, para as escadas e muito solidário digo NÃO HÁ ÁGUA? Bolas que chatice, o que vale é que tomei banho ontem, lá no pavilhão onde vamos actuar hoje.

O gerente olhava para mim e abanava a cabeça, meio divertido, enquanto explicava que alguém tinha gasto a água toda, mas quem seria? Quem pagou as favas foi uma família residente Belga, que estava no terceiro andar e pronto, missão cumprida cá se fazem cá se pagam, olho por olho dente por dente.

Tomei o pequeno-almoço e zarpei para o pavilhão. O almoço foi na casa de uns portugueses e o resto foi história com música.
Tocámos à tarde, depois à noite actuou o rancho seguido das variedades com as nossas vedetas, tudo muito bem regado acompanhado de boa comida, voltamos a actuar e no dia seguinte estávamos de volta.

Bem… Só que as peripécias não se ficaram por ali. Na volta, já em Espanha, o motorista pisa o traço contínuo e leva uma multa de 50 contos a ser paga na altura, senão o carro não saía dali. Desta vez foram os motoristas que pagaram sem mais delongas, depois passámos por Bilbao, fomos ás compras, ao Corte Inglês, mas o Luís Raminhos (saxofonista, já referido num post anterior), perdeu-se e estivemos mais de 3 horas à espera dele, acabando por aparecer num carro da Polícia…

Para terminar, quando chegámos à fronteira de Badajoz, tivemos de tirar toda a bagagem para a rua porque a Polícia desconfiou que ali havia contrabando e andou a passar tudo a pente fino. Vá lá que os amigos do rancho, como vinham a fazer um cagaçal do caraças, chamaram a atenção da Polícia e eles só viram os rebuçados e os chocolates, porque junto à aparelhagem vinham uns valentes pares de calças, blusões, Kispos, luvas e camisas. De quem eram? Não sei! Meu posso apenas garantir que era um blusão que, no meu francês das docas, na hora de pagar perguntei ao dono da loja, “Cante Cute?”. Traduzindo, eu perguntei simplesmente “Quanto custa?”

Ainda hoje quem assistiu a esse episódio me goza a torto e a direito. Mas o que é facto é que o “messiú” percebeu, eu comprei o blusão e paguei-o em Francos. Portanto, cada um desce as escadas como quer e seja o que Deus quiser.

Resumindo!

Esta foi uma das muitas primeiras vezes da minha vida, há muitas outras que eu recordo com saudade, como da primeira vez que fui tocar a Berna, na Suíça, a Erbach e a Zingen, a Cidade do Aço, como é conhecida esta cidade industrial, na Alemanha. Se continuarem a inspirar-me com as vossas mensagens de incentivo, histórias com tutano, é coisa que não me falta e antes que se apaguem da memória, tenho muito prazer em recordá-las e partilhá-las com os meus amigos leitore(a)s.

Sempre partilhei tudo e com todos sem discrição, sou amigo de toda a gente e adoro fazer as pessoas felizes. Cada desabafo é sempre uma primeira vez, em que eu sem tabus, só digo o que penso e sinto, mas sem papas na língua.

Não quero amesquinhar ninguém, só quero que as pessoas percebam que eu só quero viver em paz com a minha consciência e para isso, tenho de desabafar.

Tá dito? Tá Feito!...

(Carlos Camarão mentor do projecto musical Companhia Limitada )

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