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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MEUS RICOS MENINOS! (DESABAFOS 7)

MEMÓRIAS COM "TUTANO" !

Os Pais têm os filhos que merecem! A expressão não é minha, tanto quanto sei trata-se de uma frase de cariz popular. Embora a tenha ouvido inúmeras vezes ao longo da minha vida, confesso que nunca estive muito de acordo com ela. (a frase)  Não há regra sem excepção,  Mas, dá que pensar pelo menos! Ora leia por favor.

Em boa verdade lhe digo que a super protecção que alguns Pais dão aos seus filhos  fazem-me lembrar os conselhos que Cristo deu aos seus apóstolos para no fim ser atraiçoado por um Judas qualquer. (esta “tirada” ainda são efeitos da Páscoa passada)

No meu deambular por festas e romarias em que há 43 Anos participo, profissionalmente falando, tenho  assistido a  verdadeiras anedotas de comportamento social que só visto, pois contado é capaz de não ter graça, no entanto deixe-me tentar.

Nos chamados "compassos de espera"  até  que entre em "acção"  dedico-me à observação do meio ambiente que me rodeia na altura, não que eu seja muito pródigo nesta faceta, porque na verdade sou um despistado do caraças, mas quando tenho à minha frente “terrorzinhos” entre os 6 e os 10 Anos que teimam em dar cabo do meu  património enquanto os Paizinhos e as Mãezinhas  estão a "cantar farol" para os “amigos” de ocasião passando eu de músico a babysiter, as coisas mudam de figura.

As histórias verídicas que eu tenho para vos contar nesta área são mais que muitas, mas para não maçar os “meus leitores”, vou-me cingir a duas apenas. Uma podia ter acabado de uma forma “dramática”, a outra quanto a mim foi deliciosamente hilariante.

Então “bora lá”.

Certa Dia fui fazer uma festa de casamento algures numa das muitas quintas onde costumamos actuar, nesse Dia estava o que se chama um tempo de “xaxa”, vento, chuva, frio enfim, pouco convidativo para cocktails ao ar livre, de maneira que os responsáveis pelo catering á falta de alternativas optaram por “enfiar” todos os convivas dentro do salão onde iria decorrer a boda.
Até aqui tudo bem, ainda por cima o salão era enorme. Nós músicos tínhamos o nosso estamine daquele dia num dos topos do salão e havia uma distância de cerca de 20 metros entre nós e as primeiras mesas. Após o cocktail e as fotos da praxe, lá chegou a altura do almoço. Como já me tinha apercebido que naquela festa havia muitos “fofinhos” dispensei as minhas tropas e lá fiquei de guarda ao castelo, afinal já são muitos Anos a ver cenas tristes e já me tornei uma espécie de vidente nesta área. Estava eu ainda a fazer as previsões para o repertório dessa tarde, quando vinda não se sabe de onde, uma bola de futebol cai a escassos metros do palco! Uma bola dirá você? Sim! uma bola bem redondinha made-in-China que me fez arremelgar o olho para a catita e pensar! Mau querem ver que vai haver futebol de salão e eu não fui avisado?

Ainda eu estava a procurar uma boa desculpa para aquela situação, quando um “marmanjão” com aspecto de armário já na casa dos trintas e picos,  salta da cadeira e qual Ronaldo desata furiosamente aos pontapés na "chicha" fazendo da parede lateral do salão uma  baliza. Eu não queria acreditar no que estava a ver e ainda por cima o dito cujo desafiava ferozmente o seu “rebento” a discutir a posse da bola em fintas de "cu aberto" sob o olhar babado da mamã (do rebento claro) que pela cara dela,  devia de estar a ter um daqueles orgasmos tântricos que agora estão tanto na moda nestas gerações de chicos espertos. O marmanjão dava “chutes” na bola que até ecoava pelo salão e eu  à espera que alguém responsável acabasse com aquela palhaçada.

Ao fim de uns bons 15 minutos de tristes figuras com o patrocínio de outros papás que resolveram aderir à jogatina, lá chegaram as terrinas com a sopa e eu pensei...Ufff “tava” a ver que não! Mas qual quê? Foi a vez dos“anjinhos”, “fofinhos” entre outros “inhos” voltarem à carga para mais uma futebolada entre eles.

Só que desta vez os papás estavam entretidos a trocar histórias de como os seus espermatozóides tinham sido capazes de procriar tão garbosos mancebos, como se fossem uns heróis e os “danadinhos” sem nenhum adulto para controlar a cena resolveram que a baliza seria na direcção onde eu tinha o meu material e onde pacientemente aguardava pelo desfecho do jogo. “Tão” a ver a cena do próximo capítulo né?.. Pois!

Ao fim da quarta vez em que forçadamente defendi a bola, resolvi aplicar a táctica do “ralho” de uma forma educada para não ferir as susceptibilidades dos “queridos” e com palavras do género meninos tenham cuidado, meninos vão papar, meninos olhem que podem estragar aqui a música, tudo na maior mariquice claro. Com o passar do tempo o meu “level” de voz foi aumentando e o meu discurso começou a ficar mais acutilante do tipo; Já me estou a chatear com vocês, já chega, daqui a pouco fico com a bola, ao mesmo tempo que punha o meu melhor sorriso de cínico que conseguia encontrar para a ocasião. Eles ainda vacilavam entre 10 a 20 segundos, só que olhavam para os Papás e ao contrário de verem ou ouvirem uma reprovação da parte deles os "matchos latinos" eram sorrisos do género partam essa pôrra à vontade  que isso não é nosso.

Ora bem escusado será dizer que nem no melhor filme de Cowboys e índios eu consigo retratar as investidas de cavalaria de que fui alvo.
Até que numa determinada altura fui obrigado a atirar-me para o relvado para segurar um microfone que tinha caído do tripé vítima de uma bolada certeira que eu não consegui suster L.

Nessa altura passei-me e gritei! Gritei sim!.. a “sorte” calhou ao primeiro que estava ao pé de mim... ACABOU-SE O JOGO!.. O anjinho que se calhar até achava muito natural jogar à bola dentro de casa, que se calhar, digo eu também o faz dentro da sala de aulas, que a rir chama puta à mãe e cabrão ao Pai e eles acham imensa piada porque ele já sabe dizer palavrões, desopilou dali para fora e foi a choramingar para o pé do papá.

Este por sua vez ficou incomodado com a minha atitude e vem em tom recriminatório cobrar a minha maneira de falar, e diz-me: O srº acha (vá lá tratou-me por srº) que isso são maneiras de falar para uma criança? Sabe que o pode traumatizar?

Eu fiquei sem saber se havia de o mandar para o Pai da humanidade, ou mandá-lo falar com ele!

Mas ainda lhe disse delicadamente, O srº sabe Há quantas horas é que eu estou aqui de guarda para evitar que o seu menino me dê cabo da minha ferramenta de trabalho? Eu estou aqui para trabalhar não para ser ama-seca do seu menino não acha? Aliás o srº nem devia de ter permitido que ele começasse a ter atitudes destas numa festa de casamento Não acha?!... Resposta do Papá... Não se preocupe porque se ele partir alguma coisa está aqui alguém que paga os estragos e virou-me as costas (Sem comentários)...

Fiquei a pensar que tipo de filho será este anjinho no Futuro onde as regras mais simples da boa educação não existem, cujo pai acha natural que o petiz esteja a molestar terceiros sob o olhar cúmplice do seu progenitor e que sem tomates para passar um correctivo adequado ao filho ainda vem tirar explicações achando o meu “ralho” de ACABOU-SE O JOGO traumatizante! Pois é será que Hitler, Mussolini, Sadam Hussein entre outros filhos da “P....” não tiveram um Pai Assim?

Resumindo se por acaso a nossa troca de impressões descamba mais, ainda tinha de chamar os meus bodyguards para darem uns tabefes no marmanjão, não acham?

Este Papá até tinha aspecto de ser uma pessoa bem na vida (atenção!) Eu disse bem na vida e não de bem com a vida, mas quis o destino que ele fosse o “tal” que iniciou a futebolada portanto está tudo dito. Por mim que até sou fan do Dr. House faço já o diagnóstico neste caso.MAU FEITIO GENÉTICO!

Agora se tiver paciência leia este segundo caso!.. (Vai ver que não se arrepende)

Once upon a time One litle criancinha (pedagógico né) chegava a uma determinada festa pela mão da sua garbosa mãe que segurava numa mão um cigarro long size e na outra um sumo (acho eu) e qual pastora, trazia à sua frente um fofinho para aí com 5 aninhos de rodagem, que já vinha a “cabrear” desde que saiu do carro, fazendo uma birra cujo motivo desconheço (como se eles precisassem disso) e atirando guinchos que entravam pelos ouvidos dentro como se fossem agulhas. Eu estava para aí uns 10 metros deles faço ideia o que seria “in loco” (dá style estas palavras).

O Paizão um jovem dos seus 30 e poucos anitos de cabeça rapada para dissimular a calvície (Ele não sabe que é dos carecas que elas gostam mais?) fumava a sua cigarrada também e estava a achar imensa piada aos guinchos do fofinho. Bem até aqui nada de novo dirá você! Então para mim, pffff já tenho calo no rabo como o macaco, mas confesso que este puto me "cativou" a atenção e decidi seguir a brilhante performance do petiz.

A mamã muito bonita e elegantemente vestida trazia uma proeminente barriga a mostrar que o seu homem era realmente macho. Sim porque macho que é macho faz filhos. Ou seja, primeiro dão ao cu, depois logo se vê quem é que os atura! Os filhos claro.

A mamã estava visivelmente irritada e lá ia dando uns “ralhitos” verbais porque qualquer outro tipo de correctivo como uma bela palmada estava fora de questão.
Porque  uma agressão é uma agressão! Nos tempos que correm esse tipo de "actuação" paternal começa a ser tabu, mas longe de mim estar aqui a criticar, esta atitude é somente a minha opinião e já explico porquê! Adiante...

(pausa para almoço)..SorryJ

Voltei para acabar a minha “tese” e já estive a rever o que escrevi!  Pronto não devo estar bom da tola para escrever estas coisas mas já que comecei acabo.

Escrevia eu que a mamã estava muito irritada mas o JôJô é que não estava para os ajustes e então vai de espernear, atirar-se para o chão, biqueirada nas cadeiras de plástico e o Pai muito babado dizia... Eh pá o gajo tem o mesmo génio que eu J quando as coisas não lhe corrrem bem, vai lá vai. A mamã é que não estava muito satisfeita e já olhava de soslaio para o seu  garanhão, entretanto uma vizinha já incomodada com tudo o que se estava a passar opinava, umas palmaditas ás vezes resolvem essas birras, responde o Pai... não minha senhora, as coisas não se resolvem com pancada, os meus pais nunca me bateram e isso nunca me tirou da linha e tal e tal e bla bla bla. A pobre mamã já não sabia o que fazer depois aquela barriga já em avançado estado de gravidez retirava-lhe toda e qualquer elasticidade para ir buscar o petiz ao chão quando este teimava em se deitar e esponjar. O fatinho creme já era uma nódoa pegada e ainda não tinham começado a comer, nas mesas em redor os outros convidados lá iam pondo os dedos nos ouvidos quando o anjinho resolvia soltar os seus maravilhosos guinchos que segundo o pai já era hábito dele por isso não havia dúvidas aquilo era birra e mais nada...
Bem estas cenas maravilhosas duraram cerca de meia hora (não esquecer que ele já tinha chegado naqueles propósitos), até que finalmente veio o almoço!

A mamã queria que ele se sentasse na cadeirinha que tinham arranjado para o rebento ficar á mesa mas o anjinho não parava de dar os seus guinchos até que a determinada altura a mamã GRITOU... JôJô se gritas mais uma vez levas umas palmadas no bum bum...O pai retorquiu qual galo na capoeira, violência não! Os meus pais nunca me deram uma palmada sequer, anda cá JôJô (e levantando a voz para a plateia) queres ver como é que se ensina? Senta-te ao colo do Papá e vamos papar ta bem lindo? O lindo fez uma cara feia e a contra gosto lá se sentou ao colo do pai... este por sua vez ainda se levantou e enquanto uma mão segurava o petiz, a outra habilmente desenvencilha-se do casaco e num gesto de malabarismo passou o puto de uma mão para a outra e zás casaco fora, mostrando uma imaculada camisa de marca (não digo a marca que ninguém me paga para isso), depois ajeitou a gravata, esboçou um sorriso de escárnio para a mulher e alguns sorrisos cúmplices com outros machos como a dizer eh...eh..mulheres!

Parte final: Imaginem um rufo de tarola como se estivessem num circo prestes a assistir a um número perigoso... agora fechem os olhos e visualizem a cena!.... Pois se fecharem os olhos não podem ler que estupidez a minha! Bem, vamos lá esfolar o rabo.

Veio a sopita o JôJô não queria comer, o puto esperneava e a mamã já estava a pau com a sua barriguinha e não era caso para menos, o papá continuava a dar uma de macho intelectual de quem está na mó de cima sem perder o perfil, o empregado deita duas conchas no prato pede licença e vira as costas, então não é que no mesmo instante o JôJô espeta uma bela palmada mesmo no meio do prato cheio de sopa...ai...ai...ai o macho ficou com a pôrra da camisa toda suja, a sopa escorria-lhe pelas calças abaixo, o puto agora sim chorava com razão pois queimou a mãozita e surpresa das surpresas o papá pega no puto com uma mão e com a outra puxa a culatra atrás e dá-lhe uma série de palmadas que o miúdo apesar de lhe doer a mãozinha parou logo de chorar?

A mamã grita com um ar vitorioso. Então Dr. bateu no menino? E ele o Dr. da mula ruça muito acabrunhado responde. Bati sim! A paciência tem limites. Pois!....

Entretanto o puto salta do colo dele e desata a correr direito á rua, o papá que estava amuado a limpar a camisa aparentemente esteve-se nas tintas e foi a mamã que teve de ir a correr em cima dos seus saltos altos de 10cm, atrás do miúdo sujeita a cair e a arranjar um grave problema para a sua gravidez.

No meu caso pessoal confesso que o meu Pai espetou-me algumas “tareias” nada de paus ou cintos só mãos e sabem porquê? Porque por algumas vezes lhe assaltei os mealheiros que ele fazia com tanto carinho mas que eu habilmente conseguia com a ajuda de uma tesoura sacar as notas de 20 paus para ir para a gandaia, só que às vezes a tesoura falhava e cortava as notas. Depois quando ele achava que o mealheiro estava e fazer dieta e a perder muito peso rapidamente tinha um palpite, abria a lata e encontrava as notas cortadas nas pontas. Claro não podiam ser ratos, primeiro porque não cabiam lá, depois porque os ratos roem não cortam. Enfim se o meu pai não me tivesse admoestado e me tivesse feito doer, não sei se hoje não seria um potencial vigarista habituado a viver á pala dos outros ou um habitué das estâncias de férias do Linhó, ou do Pinheiro da Cruz. Por isso abençoadas “pisas” que eu levei porque afinal eu merecia. E quer  acreditem ou não as mazelas que eventualmente eu possa ter hoje não têm nada a ver com as reprimendas do meu pai e ainda vos digo só se perderam as que caíram no chão. Não sou a favor  da violência, tenho 2 filhos e nunca lhes bati, vontade não me faltou, mas não “mamaram” porque não calhou, a minha protecção é que tem limites e não a minha paciência.

Ainda há um Mês atrás num torneio de karate para juniores vi atletas a lutarem com lealdade procurando vencer sem magoar tudo dentro das regras e vi Pais a gritarem palavras de ordem do género dá-lhe pá, com força pá, não tenhas medo, parte –lhe as trombas, vai te a ele etc. etc...  no entanto é por estas e por outras é que os fofinhos de hoje dão em maricas amanhã (não confundir com gays) mas isso fica para outro Post, são uns irresponsáveis e depois quando já estão fartos de boa vida muitos começam a pisar a red line e depois lá vem a célebre frase. Anda um pai a criar um filho com tanto amor e carinho para depois.......
È no presente que se constrói o Futuro, para se ser um bom Pai tem de ser um bom filho primeiro.
Quem nunca errou que atire a primeira pedra, mas para os que andam com ideias de procriação antes de darem ao cu pensem bem se tem condições para meter uma criança no mundo e nunca mas nunca os tratem como um brinquedo que se pode partir a qualquer momento.
Quando eu era miúdo brincava muito com papagaios de papel eles voavam ao sabor do vento sim, mas quem tinha a guita para os fazer descer era eu e quando ele se descontrolava  por alguma rajada de vento súbita, eu estava lá para no mínimo ajudar.

Não sei se a minha conversa faz algum sentido para alguém. Para mim tornou-se mais claro que proteger não é ser moderno e liberal. Proteger é sensibilizar, responsabilizar e respeitar o próximo. Tenho dito

Tá dito, Tá feito! (Carlos Camarão mentor do projecto musical Companhia Limitada) 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

ESTÃO VERDES NÃO PRESTAM!

  
Desabafos 6)
Hoje, vou começar por agradecer a todos os internautas que visitam o nosso Blogue, para lerem os nossos desabafos e em especial, aos que me contactam no sentido de me incentivar a levar menos tempo a “desabafar”J. Agradeço o apoio, mas vamos com calma, ok?

Também já me perguntaram, o que é que eu pretendo com os meus desabafos?
Nada! Mas nada mesmo, a não ser desabafar.

Procuro acima de tudo manifestar a minha opinião sobre um determinado assunto, que tem necessariamente a ver com a minha faceta de músico.

Posto este intróito, vamos lá à “vaca fria”.

FUI AO KARAOKE!

Nesta altura, os “velhos do Restelo”, já estarão a pensar, “olha p’ra ele, tem-se negado a adoptar esta mais-valia para juntar à sua actividade de músico e agora, também vai ao Karaoke!”
Mas não se iludam, ainda não foi desta vez que cedi e passo a explicar.

A minha presença, teve como finalidade, participar como jurado numa semi-final de um concurso de Karaoke, no Violet Café, sito na Moita.

Em Outubro, a Ana Cruz, convidou-me a estar presente numa eliminatória de um concurso de karaoke que ela e o seu companheiro Rui iriam promover. Depois de várias tentativas infrutíferas, da parte dela em poder contar comigo, ontem lá calhou.

Quem é a Ana Cruz?

A Ana é uma “performer” de mão cheia, na área da dança de salão. A primeira vez que a vi actuar, foi num baile da pinha que estava a fazer com os Companhia Limitada, na União de Coina e já lá vão uns 7 anos pelo menos. Nessa noite, a escola de dança de salão da Capricho Moitense, foi fazer uma demonstração daquele estilo de dança, com as suas alunas distribuídas por vários escalões etários. Ao solicitarem-me apoio relativamente ao uso do meu sistema de som, acabei por ficar mais atento quer às faixas dos instrumentais que ia pondo a tocar, quer à execução dos bailarinos que por ali se iam exibindo.

Apercebi-me, de imediato, que havia ali muito potencial e muita dedicação. A uma determinada altura, a Ana, entra para fazer a sua exibição e ao fim de 2 minutos eu estava completamente rendido ao seu talento. Dona de uma silhueta de cortar a respiração, ela fazia a diferença pela maneira como se apresentava, bem maquilhada e excepcionalmente segura, fazia do corpo o que queria com tanta graça e leveza que arrebatava aplausos constantes dos espectadores. Anos mais tarde, ainda colaborou com os Companhia Limitada num show temático criado por nós, que apelidámos de “Grandes Ritmos Grandes Canções”.

Em conversa de bastidores, várias vezes lhe vaticinei um futuro repleto de sucesso mas, inexplicavelmente, para mim claro, a Ana, apesar do seu enorme talento, continuava a ter um sucesso medíocre para o potencial que desenvolvia. Entretanto, deixei de ter qualquer contacto com ela, lembro-me apenas de a ter visto dançar, numa festa de carácter particular, no Ginásio da Baixa da Banheira, mas confesso que naquela altura, ela já não tinha no olhar aquele brilho especial que um dia me deliciou. Achei-a desmotivada e pensei, o que se estará a passar com esta “miúda”? Pareceu-me abstraída e acima de tudo muito rotineira. Naquela exibição ela limitou-se a fazer o trabalho de casa, mas todos nós temos dias ou épocas em que até os “cãezinhos nos mijam nas pernas” e é nessas alturas, que muitos talentos com promissoras carreiras, ficam pelo caminho.

Quando ela me disse que agora se dedicava a fazer Karaoke, fiquei surpreendido porque, definitivamente e na minha opinião, aquilo não era a “ilha dela”. No entanto, a Ana hoje é uma jovem adulta que tem de procurar o seu sustento e trabalhar não é desprezo. Ao comentar esta nova faceta da Ana com um amigo comum, ele disse-me que ela também canta muito bem. Será?

No dia 14/12/11 não tive o prazer de a ouvir.

Mas ouvi os 12 concorrentes que se apresentaram para defenderem uma passagem à final. Eu fui logo avisando que não estava ali para julgar ninguém e sim, para analisar, ajuizar e porque não,  aconselhar os participantes?  

Era conhecedor do regulamento e calhou-me 4 concorrentes, relativamente aos quais tive de opinar directamente. Tenho plena consciência de que fiz um bom trabalho. Não estava ali a ganhar nada, não conhecia quem ia participar, logo não havia ali qualquer tipo de favorecimento. Além do mais, quem me conhece sabe que, na música, não faço favores. Quando me pedem uma opinião eu dou-a, mas sempre consoante o objectivo de quem ma pede.

Por exemplo, se o objectivo de quem me procura é cantar na banheira ou na festa de anos da mana ou ainda no baptizado do primo, a minha postura será uma, se é para se divertirem no Karaoke, será outra, mas se for para tentarem a via profissional então aí eu sou mais "chato que a potassa". Se na minha opinião, eu achar que o melhor é “dedicarem-se à pesca” (e já o fiz inúmeras vezes) eu tenho coragem para o dizer cara a cara. Não procuro desculpas, nem ponho flores e às vezes, passo de Anjo a Diabo, enquanto o dito esfrega o olho, mas por aí, durmo descansado com toda a certeza. 

Mas ainda há os teimosos, os que não desistem e isso eu não deixo de louvar, mas os “bobos” da corte ou os cromos como os concursos televisivos lhes chamam, desses não tenho dó nem piedade.

Cada macaco no seu galho ok?

Não tenho pachorra para atitudes ridículas e “chorinhos” histéricos  mimados que acabam, na maioria das vezes, por serem confortados nos abraços dos papás ou do(a) namorado(a) que, para defender a sua “dama”, arrasam os jurados sem sequer tentarem perceber, se houve ou não razão para uma tal nega.

É claro que em programas como Ídolos ou Operação Triunfo, o factor “C” funciona muito bem e continua a ser imprescindível e que as audiências têm de serem mantidas a qualquer custo. Toda a gente sabe que qualquer um destes programas, movimenta largos milhares de euros, que têm de ser rentabilizados dê lá por onde der e doa a quem doer. Mas há pessoas vão para ali como se não houvesse amanhã. A culpa não é só dos candidatos, é também de quem lhes meteu na cabeça que eles e elas cantavam muito bem e que estavam prontos para se meterem naquelas lides.

“Mau” é quando os concorrentes viram a sua vida de avesso, desestabilizando todo o seu equilíbrio psicológico, para perseguirem uma quimera criada por estas pessoas.

Pior, é quando acreditam piamente na opinião “supra sumo da barbatana” de um jurado tipo Luís Jardim, um nome sonante da nossa praça, que faz alarde de ser um grande produtor, que já trabalhou com A e B, que puxa dos galões constantemente para justificar as suas opiniões enquanto júri dos programas de cantigas na Tv. Eu acredito nele e até o admiro, mas quando ele é capaz de produzir e dar a cara pelo disco de uma aberração, que se dá pelo nome de Castelo Branco, borra-me a pintura toda.

Ora quem faz um cesto, faz um cento e estas atitudes só me demonstram que a bota não bate certo com a perdigota.

E das duas uma, ou ele está muito mal de finanças, ou então está necessitado de protagonismo. Mas ainda assim, reconheço o extraordinário talento  que tem como músico, porém já não penso o mesmo quando ele faz de júri e promete mundos e fundos aos concorrentes com quem engraça. Se estou enganado, então ele e todos os que entram nestes processos de “ajuizar” publicamente, tenham outra postura para não me deixarem dúvidas.

Mas porquê este exemplo, pensará você!

Só para o leitor perceber o quanto nefasta é a opinião  destes senhores,  que têm todas as capacidades técnicas para dizerem a verdade e de repente pôem-se à mercê dos jogos de  bastidores onde pululam vários interesses, e fazem da boca "cu" constantemente.
Consegue o leitor(a) perceber, o impacto que sofre psicologicamente um candidato que vai a um casting, já depois de ter batido karaokes, ganho concursos, e alguns até com anos de palco, quando sem mais nem menos uma alarvidade destas que pode até ter vontade de dizer umas coisas simpáticas, mas como alguém na régie lhe diz, “malha à vontade que este não interessa”  ele desata a fazer graçolas de mau gosto, sem se importar como é que o concorrente fica?

Eu sei, eu sei, quem anda à chuva molha-se, e só lá vão porque querem, mas se estes “juízes” são tão bons profissionais, porque se sujeitam às regras do jogo mesmo contra a sua vontade? Também só lá estão porque querem, ou será por Patriotismo?
Quem ajuíza deve de ter conhecimentos e sensibilidade humana para o fazer, senão todos os advogados eram juízes. Eu escrevi ”deve de ter”, porque a frase correcta seria tem de ter.


Ridículo é quando uma Conceição Lino, uma Clara de Sousa ou a uma Rita Pereira, aparecem a “julgar” nos concursos de cantigas!?!?!... Pergunto-me, mas estes gajos da TV acham que somos toda uma cambada de otários? O que é que elas percebem da poda????? Então não se ponham a divagar sobre o que não sabem, que nós músicos também não discutimos jornalismo e novelas com elas.

 Na prática o que é que eu quero dizer é que (e parafraseando a minha mãe) “isto é tudo um “Corujedo senhor Alfredo”.

Não estou a tentar denegrir o nome e as pessoas em si, mas sim as figuras a que se sujeitam  fazer, a troco de protagonismo e dinheiro.

E agora dirá você!

OLHA O MARMELO! E SE FOSSE CONSIGO NÃO FARIA O MESMO?

Possivelmente faria, mas com o pano à vista é que eu talho a obra!

Eu explico.  

Se apanhar uma daquelas pessoas que precisam muito, muito, muito que lhes massagem o ego para se sentirem bem, eu acho, repito acho, que poderei ser um pouco “maleável”. Mas só se me convencerem que andam com a moral em baixo e que não vem daí mal ao Mundo.

Mas no caso concreto de um concurso onde se percebe á primeira vista o empenho, com que todos os candidatos se apresentam a minha natureza, não me deixa ser  de outra maneira e  comigo é,  pão, pão, queijo, queijo.

Eu tenho levado a minha carreira de músico constantemente a ser julgado, a mim nunca ninguém me deu nada, o pouco que tenho conseguido, tem sido com suor e lágrimas, daí que todas estas pessoas, tenham logo à partida o meu respeito, porque hoje eles, amanhã eu.

Falo somente o que a minha experiencia de 43 anos como músico, me dá autoridade para falar. Pode ser o jovem mais simpático ou a miúda mais fofinha, afina tudo pelo mesmo diapasão. Mereceu uma boa apreciação, pois não me coíbo de enaltecer seja quem for. Não esteve à altura, pois volta a tentar que é o que eu tenho feito desde os meus primórdios como músico. Não há rebuçados nem chupas de consolação. 

Fiz-me entender? Então vamos lá concluir este desabafos 6.

Mas quem são estes gajos?.......

Contou-me uma amiga que um  senhor, que se encontrava perto do balcão que o dito a interpelava numa tentativa de meter conversa, ao mesmo tempo que reclamava das decisões que os 3 jurados iam proferindo. Ele, devia estar num daqueles momentos de “orgulhosamente” só, porque não ouvi ninguém reclamar. Alegava ainda, que era um dos patrocinadores do concurso e que estava aborrecido porque “ninguém lhe tinha apresentado os jurados e não tinha sido só naquela noite”.
 Atenção Ana, atenção Rui, tentem reparar essa falha.
Patrocinador, mais ou menos chato, tem alguns direitosJ

Alegava ainda, que os jurados estavam a ser muito rígidos e que tínhamos de perceber que, os concorrentes são amadores e “estavam ali só com o intuito de se divertirem”.

COMO É QUE É?

Essa nãooooooooooooooooo!

O Karaoke vira divertimento, quando é aberto a toda a gente. Agora quando vêm concorrentes do Barreiro, Baixa da Banheira, Palmela, etc. Etc., a meio da semana, gastar dinheiro e tempo e sair á 1.30h da manhã de um concurso, ninguém me consegue convencer que estão ali só para se divertirem.
Estão ali com mais ou menos mérito, porque alguém os elegeu mas todos querem ganhar, principalmente quando está em jogo, um prémio em dinheiro.

Eu vi no rosto da maioria dos participantes e, principalmente, dos respectivos acompanhantes, a contrariedade que mal conseguiam disfarçar quando os jurados tinham uma opinião contrária à que esperavam.

No entanto, não deixo de dizer, que o patrocinador tem alguma razão, o Rui  vai ter, digo eu, de chamar os júris um a um e deixar que eles próprios se apresentem, até para os concorrentes poderem perceber que não é o Jota que toca campainhas de portas e não percebe nada de música que hoje vai estar ali a ajuizar, ou julgar as performances de cada concorrente.

Por sua vez os concorrentes, não devem de minimizar a opinião dos jurados sem mais nem menos e porquê? Porque lá por não os conhecerem, não quer dizer que não tenham uma opinião mais válida, que aqueles que são pagos  a peso de ouro para o fazer.

Mas o caricato acontece, quando por exemplo o “Jaquim das Tortas” que gravou, a expensas suas, 2 discos que nunca venderam nada que valesse o investimento, mas lá porque foi um dia à Tv. da Júlia, do Goucha ou da Fatuxa, o concorrente já acha que tudo o que ele diz é que tem valor. Muitas  vezes chegam até a ficar intimidadosL

90% Desses cantantes, só conseguem olhar para o seu umbigo, dão-se ares de vedeta, mas muitas vezes não percebem nada do que estão a dizer. Infelizmente e só porque estão a ser avaliados por  figuras mais mediáticas que eu, o “Zezinho” ou a “Ritinha” ficam fascinado(a)s com as tretas que eles dizem tipo, “cantaste muito bem”, “és um espectáculo” e sem esquecer o célebre “Vai em frente nunca desistas”

Isso é maldade! Porque se esquecem de dizer: “cuidado que podes partir a cara logo na primeira porta que bateres”.

Estão a criar falsas expectativas numa pessoa que se for, eventualmente, fraco de espírito e acreditar nestas patranhas de conveniência, acaba por arranjar sarna para se coçar.

E depois, se aparece o aqui o vosso amigo C.C., que o concorrente nunca viu mais cabeludo a dizer é pá isso foi um bocadinho melhor que péssimoJ sou logo excomungado porque os candidatos Zezinho e Ritinha, tinham estado noutro concurso de Karaoke onde um clone do “Jaquim das Tortas” tinha sido júri e lhes disse que eles cantavam muito bem.
Oh é canja!
Passo de bestial a besta num abrir e fechar olhos.

Apesar de toda a experiencia que adquiri ao longo dos anos, não consigo avaliar concisamente um candidato através de uma canção, a menos que, ele seja uma autêntica cana rachada. No entanto, quando estamos perante alguém que é possuidor(a) de uma voz equilibrada é possível avaliar, com toda a segurança, se cantou afinado ou não e se a interpretação foi ou não meritória. Posteriormente poder-se-á, eventualmente, analisar outros potenciais, agora não me convidem para ir sentar o distinto “rabo” numa cadeira de “suma-pau” e ter que ser simpático, porque os concorrentes estão ali para se divertirem.

Se assim fosse, ninguém se iria inscrever para participar num “concurso” cujo sinónimo é competição, palavra que, de imediato, nos sugere prémio.

Não queiram ser como célebre raposa da fábula antiga, que toda convencida que ia alcançar com um salto, as uvas que estavam penduradas numa videira a uns metros do chão, depois de muitas tentativas e ao ver que não conseguia, exclamou:

AH ESTÃO VERDES! NÃO PRESTAM!

Sejam humildes, pacientes e por muito que “chovam” os elogios, descontem sempre 80% dos mesmos, porque muitos são dados umas vezes por simpatia outras para parecer bem. Lembrem-se que não estão sozinhos neste Mundo do “showbusiness”. Insistam sim, mas nunca percam a noção do ridículo, que de um momento para o outro nos pode atingir. Cuidado, não vão para além dos vossos potenciais vocais, não imitem, tentem criar o vosso próprio estilo e tenham muita saúde porque tudo o resto? São trocos.

Tá dito, Tá feito

Carlos Camarão músico (mentor do projecto musical Companhia Limitada).





terça-feira, 8 de novembro de 2011

COM ISTO É QUE EU EMBIRRO PALAVRA DE HONRA! (Desabafos 5)

A minha memória é uma caixinha de surpresas, que ora me deixa orgulhoso por me proporcionar grandes e autênticos flashbacks, ora me deixa confuso porque não me consigo lembrar do que almocei ontem.
Ok, já sei que estou em velocidade de cruzeiro na idade dos “entas” e isso pode ser o móbil deste “chove e não molha “ mas ainda assim, acho que é por a “dita” conter demasiada informação que, de vez em quando, já vai “gripando”.
Na verdade, em virtude da minha vida ter vindo a ser sempre muito preenchida com os mais díspares afazeres, deparo-me muitas vezes com o facto de, ao captar uma simples conversa de terceiros, desatar automaticamente a cruzá-la com informações, há muito arquivadas na minha memória, tipo base de dados das finançasJ. Quando consigo chegar a um final conclusivo, fico muito satisfeito, caso contrário, fico super confuso. Hoje, ao ouvir um locutor de uma rádio Nacional dizer “… a música que vai passar a seguir, diz-me muito porque foi a primeira música que eu toquei quando vim para esta estação” (fim de citação).
Lembrei-me, imediatamente, da minha saudosa amiga Mariette Pessanha (grande artista Barreirense) e das nossas saudáveis discussões quando as opiniões não convergiam, nas quais éramos pródigos. Uma delas e que sempre ficou sem resposta, foi quem é quem na autoria das canções. Na opinião da Mariette, ela entendia que o criador, era o artista que cantava a canção e a “imortalizava”, na minha opinião e como autor eu defendia que o criador era o poeta, ou o músico que compunha a canção. Muitas vezes, lá no nosso “barraco” onde fazíamos os ensaios para os muitos espectáculos em que colaborámos juntos, quando o assunto era, o quem é quem, o caldo entornava-se e nas muitas vezes que nos debatemos, nunca chegámos a acordo.
E já está! Outro flashback.
De repente, veio-me á memória um espectáculo que os Companhia Limitada, fizeram nos “Franceses” (Sociedade Centenária do Barreiro), numa comemoração de mais um aniversário daquela Colectividade Barreirense, onde nós fomos fazer uma pequena intervenção musical. Foi um espectáculo com plateia e a Mariette Pessanha, estava presente como convidada da Direcção. Eu não sei porque “carga de água” fui buscar o assunto, mas não resisti à tentação de publicamente pôr em causa a divergência das nossas opiniões nesta matéria e claro a nossa actuação, foi encurtada porque a minha amiga resolveu defender a sua “dama” e de que maneiraJ. Só posso dizer que eu em cima do palco e a Mariette na plateia criámos um debate tão fervoroso, como poucos a que aquelas paredes tinham assistido, para gáudio dos presentes claro. Quem ganhou? Quem ganhou!..? Ninguém, por isso é que ainda hoje eu convivo com esta dúvida. No entanto porque eu não sou irredutível com os meus pontos de vista, tenho feito um esforço para perceber afinal quem é quem?
Ora bem se eu for à pesca, isso faz de mim um pescador? Se eu adoptar uma criança e a ajudar a crescer, faz de mim o seu educador? Se jogar futebol com os amigos ao fim de semana, isso faz de mim um jogador? Acredite quem quiser que eu não estou a brincar!

Pode até ser burrice minha, mas se acha que me pode ajudar, (envie um email para carloscamarao@netcabo.pt)

Eu já compus e editei muitas músicas, estou inclusivamente inscrito na S.P.A como autor, pergunto? Se alguém pegar nas minhas músicas ou textos e sair por aí a interpretá-los, independentemente do sucesso que possa vir a ter, isso retira-me o título de criador das mesmas?

Eu acho que a dúvida está na palavra “criador”, que com certeza poderá ser interpretada de várias maneiras.
Será? Nunca consegui chegar a uma conclusão.

Mas agora perguntará você, mas que raio tem o título deste “desabafo” com este assunto?

Pegando ainda nas palavras do locutor de serviço, esta manhã, na “tal” rádio, fiquei com uma certeza. Ele como profissional de rádio até que leva o seu jeito e nada tenho a dizer, mas não é músico, nem nada que se pareça, então porque “raio” diz ele “foi a primeira música que eu toquei nesta estação”. Comecei logo a cruzar dados e lembro-me, de repente, dos Dj’s que andam por aí a dizer: hoje fui tocar a tal sítio, ontem toquei na discoteca tal e amanhã vou tocar ao papagaio real. Foi tocar ou pôs discos a tocar?

Atenção que eu não estou a desprestigiar o trabalho de um Dj, tal como em qualquer outra arte há bons e maus profissionais sei, por experiência própria, que para se ser um bom Dj tem de se ter muito talento e são precisas muitas horas de treino e dedicação. Não questiono o valor do seu trabalho mas sim a forma como eles se expressam. Vou tocar?

Um Dj toca ou põe a tocar um CD? O artista que canta a canção de um determinado autor é o intérprete ou é o criador? Aquele locutor que hoje disse o que atrás referi, é um animador que passa música e então só porque passa música, dá-lhe o direito de dizer vou tocar? Toquei? Se não é músico, porque é que ele diz “foi a primeira música que eu toquei”?

Não é por mais nada, mas é que eu ando nesta dúvida há muitos anos e como gosto de ter a certeza do que digo e faço, aqui deixo o meu sincero apelo a quem quiser debater este assunto comigo. Juro que farei uma síntese e colocarei aqui neste Blogue a conclusão final.

Estava muito descansado, na minha higiene matinal, quando este garboso locutor me instalou novamente a dúvida adormecida e me fez parar o trânsito intestinal, o que me deixou stressado, reavivando-me uma dúvida com a qual até já tinha aprendido a conviver, mas preciso de tirar este assunto a limpo de uma vez. Não é por nada mas parafraseando um artista conhecido da nossa praça,

COM ISTO É QUE EU EMBIRRO PALAVRA DE HONRA

Tá dito, Tá feito.

Carlos Camarão (mentor do projecto musical Companhia Limitada)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

É TUDO UMA QUESTÃO DE EQULÍBRIO (Desabafos 4 )

Confesso que cheguei a pensar que equilíbrio é exactamente a mesma coisa que gestão.
É verdade!

A vida continua a ensinar-me, na prática, o que eu não aprendi na teoria dos manuais do “salve-se quem puder”. Quando era miúdo, também cheguei a andar com livros de filosofia e psicologia debaixo do braço a deambular, porque era moda, pela boleira do parque (Barreiro) ao fim da tarde, comia uma francesinha, bebia uma Coca-Cola e olhava para os livros com um ar circunspecto convencido que percebia daquilo a potesJ.

Mas como na prática, os ensinamentos nem sempre resultavam pela positiva, depressa passei a ser eu a ajuizar os pontapés que levava nas “costas”, quando tentava seguir as ideias que os grandes pensadores do século passado tinham escrito. Passados tantos anos eu pecador me confesso que equilíbrio nada tem a ver com gestão. A gestão aprende-se nos manuais o equilíbrio é um dom nato! Ou se tem ou não.
Por exemplo, a minha esposa é dona de um QI acima da média comparado com o meu, mas enquanto eu ando de bicicleta de olhos fechados, ela é um completo atraso de vida quando tenta montar-se numa. No entanto, se fizer uma gestão apropriada de acordo com o seu QI, coloca umas rodinhas de lado e a “coisa” resulta, agora quanto ao equilíbrio nato dela? É mais fácil ensinar um pato mudo a grasnar.

Podia estar aqui a enumerar N exemplos, mas penso que já deu para perceber o mote deste desabafo.

É TUDO UMA QUESTÃO DE EQULÍBRIO               
43 anos depois de me ter iniciado nas lides musicais, ainda subo a um palco preocupado com a forma como vou equilibrar as minhas performances. Em 12 anos de carreira dos Companhia Limitada e graças ao nosso método de trabalho e empenho, temos um espólio considerável de repertório variado que nos permite tentar agradar a “Gregos e Troianos”. Muitas vezes usei a palavra “gerir” o repertório mas na minha opinião, o termo só se aplicaria se o mesmo fosse limitado, o que não é o caso.
Como tal, é mais uma questão de equilíbrio e porquê?

Porque num show temático o público sabe ao que vai, há um fio condutor que nos guia desde o princípio ao fim do espectáculo e podemos fazer exactamente o que planeámos antes, sem nos preocuparmos demasiado. No entanto, quando fazemos uma actuação para baile, curiosamente o tipo de show mais mal pago, a “coisa” muda de figura.

Se tentamos agradar à “malta” mais nova, os mais velhos reclamam, se tocamos para o pessoal mais “velho”, somos olhados com desdém pelos mais novos e…. bolas não há pachorra mesmo. Levamos meses a ensaiar músicas de qualidade para dançar e disso temos a certeza das nossas escolhas, mas baile que não se  toque o “Pai da criança”, o “Baile de Verão” ou o “Kuduro” do Emanuel, já não é baile, isto salvo raras excepções. Agora dirá você “ então e que mal têm essas músicas?”
Nenhum!

Absolutamente nenhum, mas o que é demais enjoa, só por isso.
Este ano aproveitámos a nossa tournée por terras Algarvias e nos intervalos ainda deu para corrermos as “capelinhas” e a sensação com que se fica, é que toda a gente toca a mesma coisa. Se não era Pimba que ferve, era Kizomba que dói. E dói porque o pessoal agora aproveita tudo e mais alguma coisa para tocar em ritmo de Kizomba. Atençãoooooo, que eu não estou a fazer julgamentos sobre a qualidade dos músicos, nem tão pouco às escolhas de cada um. Parece não parece? Mas não é!

O que ponho em causa, são os gostos do público, o grande “Júri” que devia de servir como mola motivadora para os músicos, que nos meus tempos de jovem adolescente servia de crivo, para as entidades contratantes e a sua opinião era a que mais “pesava”. Hoje tudo isso se perdeu e quem mais barato leva é que toca porque o “Povão” quer arrastar a sandália e marimba-se na qualidade e mais,  se não entende a música, é porque ela não presta.
Fui à FATACIL, assistir a uma dose dupla de Rita Red Shoes e Aurea a quem chamam cantora da moda. As honras de abertura pertenceram a Rita Red Shoes, que começou o espectáculo com uma hora de atraso, inaceitável na opinião generalizada, mas o recinto nunca mais enchia e vedeta que é vedeta, não se arrisca a tocar para meia dúzia de “gatos pingados”.

Fiquei encostado às baias de protecção, afinal o  meu lema é aprender até morrer. Nunca tinha visto a Rita ao vivo, conheço mal o trabalho dela, mas do pouco que já tinha ouvido, percebi que é uma música competente, com uma capacidade vocal acima da média. Com ela, trouxe músicos de grande gabarito e eu com um sorriso de orelha, a orelha, esperava ter uma lição ao mais alto nível.
À minha direita, tinha 4 jovens debutantes do sexo feminino exageradamente histéricas para o meu gosto, à minha esquerda os conservadores do costume, com um vernáculo que me arrepiava a espinha e eu no meio, lá ia analisando o que cada grupo dizia, ora divertido, ora apreensivo, porque afinal a maior parte do tempo eu estou do lado de lá da “barricada” e ser avaliado assim duma forma tão simplista sem perceberem o esforço que nós músicos fazemos para que tudo dê certo, dá-me náuseas.

Pessoalmente apreciei a performance da Rita e dos músicos, embora ficasse com a ideia de que ela fez um show muito virado para dentro, ou seja, toca e canta aquilo que realmente lhe dá mais gozo e essas ousadias pagam-se caro. A Rita, fez um show  de uma hora certinha e saiu do palco a correr, já com o recinto muito composto, mas mesmo assim sem ninguém pedir um bis(encore). Diziam as meninas histéricas com um ar de entendidas, “adoro a Ritinha”, diziam os conservadores do costume, “porra que grande seca” isto entre outros mimos que me escuso de mencionar mas que o leitor(a) deve de calcular.

Mais 40 minutos de seca, para mudar o cenário para a Aurea. A cantora entra em palco e o público aqueceu. Independentemente das qualidades excepcionais da sua voz e capacidade de interpretação, para além de um belíssimo suporte musical que de uma forma imaculada ia mostrando as suas qualidades, não tenho a menor dúvida que a cantora Aurea beneficiou de apresentar temas conhecidos, já com muitos anos e com uma linha melódica apelativa. O resultado foi um belo encore, com uma Aurea emocionada por estar a “jogar em casa”, chegando ao ponto de num desabafo sincero dizer que muitas vezes foi à FATACIL ver os artistas preferidos dela e que hoje estava ali em cima do palco. Oh como eu a compreendo!

É sempre bonito de ver humildade num artista e além disso este tipo de comportamento tem um efeito extraordinário no público. Eu aplaudi porque também senti que veio do coração.

Resumindo, quando saí dei por mim a pensar em que é que a Rita falhou, para não ter tido a recepção que teve a Aurea? Afinal a Aurea apareceu em força este ano e a Rita já leva alguma vantagem em termos de tempo. A Rita foi elitista, a Aurea mais popular e quem ganhou? Bem ganharam as duas J que o cachet de cada uma, não deve ser brincadeiraJ, mas sem ironias quem ganhou? Afinal ambas têm qualidade de sobra, então onde está a diferença? Eu nos Companhia Limitada, também sinto o mesmo, mas como ganho pouco, dou uma no cravo, outra na ferradura. Ora arrefinfo umas “pimbalhadas”, ora toco umas músicas de qualidade. Assim não corro riscos. Não é coisa que me agrade, mas em Roma sê Romano.

É TUDO UMA QUESTÃO DE EQUILÍBRIO.
Tá dito, Tá feito.

Carlos Camarão (mentor) do Grupo Companhia Limitada.