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quinta-feira, 29 de março de 2012

VAMOS A CONTAS 13 ANOS DEPOIS ( Desabafos 9 )

Há 13 anos que lidero o projecto musical Companhia Limitada. Como a maior parte dos meus leitores sabem, eu vinha de um projecto profissionalmente assumido, com um longo curriculum e não tinha necessidade nenhuma de começar literalmente da estaca zero. Mas eu apanhei um comboio em andamento de seu nome Holiday e com o passar dos anos fui herdando dos ex-elementos a responsabilidade de conduzir os destinos daquele conjunto musical. Foram mais de 30 anos de actividade!
No entanto e por amar aquilo que faço, quando percebi que os meus colegas já não tinham mais nada para dar, comecei a pensar em alternativas credíveis que me ajudassem a não baixar os braços. Afinal, estava na casa dos “intas” mas ainda me sentia com força para continuar. Quando o Holiday cessou a sua actividade como conjunto musical, fui literalmente “assediado” para outros projectos, através de bons músicos com experiência e valor comprovados, que insistiam para eu me juntar a eles.
Nunca aceitei!
13 Anos depois, continuo convicto que tomei a decisão certa. Já não é a primeira vez que, em público, assumo o privilégio de trabalhar com jovens que começaram literalmente do nada e que, graças a um trabalho de fundo, são actualmente uma agradável realidade. Nós temos feito a nossa sorte, com muito trabalho, dedicação e amor sem limites por esta causa. 
Não foi fácil, já expliquei alguns dos motivos desta afirmação no blog anterior, por isso e já que chegou a altura de fazer o balanço de 13 anos de actividade, momento este em que pretendo fazer uma viragem no rumo dos Companhia Limitada, aqui fica uma explicação para quem me quer julgar na praça pública, sem me dar o direito de me defender. Não que isso me tire o sono, porque as pessoas que têm trabalhado comigo sabem que eu dou tudo o que tenho, mas também exijo igual tratamento e se eu mudo é porque algo de muito grave se passou.
A vida dá voltas e voltas, mas felizmente para mim e para quem me conhece, sabe que o termo “nunca mais”, para mim, não faz sentido. Por mais que eu diga não, como não sou rancoroso, quando gosto de alguém é para toda a vida mesmo que esse alguém me tenha desiludido. No final deste desabafo irão perceber porquê.
Está na altura de continuar a tirar os esqueletos do meu armário e, como não obrigo ninguém a ler, vou falar de pessoas que de uma forma ou de outra, fazem parte da minha história de vida e sem truques  omissões, ou ironias sem nexo, vou desabafar antes que a memória me atraiçoe.
No final do mês de Setembro, corria o ano de 1999, vinha eu do Algarve depois de umas feriazitas em família, quando de repente dou por mim a dizer à minha mulher que tinha vontade de começar de novo, mas com um projecto musical à minha imagem. Ela ouviu-me atentamente e como uma companheira “pinguim” deu-me força para seguir em frente.
Na altura, o Holiday já se encontrava na sua contagem decrescente, reduzido a 4 elementos, eu (Carlos Camarão), o Paulo Cruz no baixo, Mário Pombo na bateria e a Filipa Ruas, com 15 anos, a assumir o papel de vocalista. A Filipa era uma menina franzina com uma vontade enorme de ver o Mundo e que mais tarde fez “parelha” comigo em bares onde fazíamos música ao vivo. Adorava-a pela postura natural com que se apresentava nos bares de gente adulta cantando e interagindo com o público.
Paralelamente a este projecto do Holiday eu tinha montado um espectáculo de melodias de sempre a que dei o nome de “ENA TANTOS”, aproveitando algumas vozes que tinha captado em festivais juvenis da canção, mas que se estava a desagregar, porque alguns papás queriam que os seus rebentos fossem os protagonistas do projecto e tranquilamente eu pensei, ok! Tenho a Marisa, a Lígia e a Sónia (na altura tinha-me incompatibilizado com Filipa), vamos arranjar um projecto saudável e assim nasceram os Companhia Limitada. Eu no piano e as três nas vozes.
Começámos, muito a medo, a fazer uns bares e aos poucos as solicitações foram aparecendo. Até que um dia eu estava no meu local de trabalho e a Filipa apareceu decidida a convencer-me a aceitá-la de novoL. Eu gostava muito dela, afinal ela tinha sido a menina com que eu comecei. Assim e depois de algumas semanas de hesitações ela lá voltou á carga e “disparou”, se tu não me ajudares eu vou ser artista nem que eu tenha de comer as sopas que o diabo amassouJ (Só nós 2 é que sabemos J ).
Bem, a Filipa quando queria uma coisa era pior que uma injecção estragada, por isso lá acabei por ceder e ela passou a ser o 5 elemento do grupo. O leque das opções para actuarmos começou a alargar uma vez que, nós trabalhávamos incansavelmente e os frutos do nosso trabalho começaram a aparecer. Eu tinha a meu cargo toda a responsabilidade de arranjar contratos e negociá-los, dar-lhes formação, aturar as pequena picardias e fazer os investimentos em termos de material técnico, todo o material era meu incluindo os carros onde nos transportávamos. Em suma, eu tinha o que queria mas pagava uma factura bem alta para ter um grupo com as características dos Companhia Limitada.
Um dia a Filipa manifestou a vontade de participar nos castings da primeira versão da Operação Triunfo, na RTP. Fiquei logo com a sensação de que mais uma vez a ia perder, na altura, ela era o elemento mais destacado do grupo, pois por ela passavam a maior parte das músicas, não por ter melhor voz mas porque era, sem dúvida, aquela que mais parecia levar a sério este projecto musical. A Sónia também esteve tentada a ir mas desistiu logo antes do primeiro casting. A Lígia e a Marisa não deram muita importância ao assunto. E o resto é história.
A Filipa era das concorrentes mais bem preparadas, sabia o que tinha de fazer, era a primeira vez que a OT se ia estrear em Portugal, porque em Espanha já tinha alcançado um sucesso extraordinário. Foi bom para ela e bom para nós, todos crescemos mas a Filipa não voltou mais aos Companhia Limitada.
Situações tristes, com queixas de parte a parte, intrigas e jornalismo sensacionalista fizeram com que uma amizade, de quase uma vida, se tivesse estragado. Eu deixei-me levar pela impetuosidade do meu feitio e quando me apercebi que o resto dos elementos estavam a ficar desacreditadas e ofendidas sem terem culpa nenhuma, virei bicho, baixei o nível da conversa e quando dispensei a Filipa, por razões óbvias, pois ela tinha assinado um contrato por 5 anos, foi o principio do fim.
Um dia a Filipa falou comigo ao telefone e disse-me que estava magoada com tudo o que tinha saído nos jornais e nas revistas, eu disse-lhe que também tinha algo para lhe mostrar e acrescentei: Tu trazes o que tens contra mim e eu mostro-te o que tenho contra ti. “O que realmente disse, eu assino por baixo desde que me dês a oportunidade de te explicar as razões que me levaram a dizer e a perder as estribeiras”.
Errei? Claro! Porque me deixei levar pela “raiva”. Porque eu tinha de defender as colegas que ficaram cá atrás a segurar as pontas na ausência dela e disse coisas que eram desnecessárias dizer, mas o que eu disse e repito não foram mentiras, porque me foram ditas a mim e eu só queria dizer à Filipa o que me contaram e dizer-lhe quem foi, mas infelizmente ela nunca me deu essa oportunidade e afastou-se, até hoje.
Mas o grupo em vez de baixar a guarda encheu-se de brios e subiu de nível. As colegas que até à altura tinham tido uma postura um tanto ou quanto passiva, assumiram todas as responsabilidades e depressa a situação estava totalmente controlada. Foram mais uns 4 anos gloriosos, até ao dia em que a Marisa, eterno pólo de conflitos, teve de ser convidada a sair. A Marisa é dona de uma voz fantástica, mas o seu feitio insatisfeito era um foco de constantes problemas.
Depois veio a Carla. Filha de um amigo de infância entrou com o entusiasmo natural de quem tem um brinquedo novo. A Carla era muito novinha, por isso tivemos de cuidar do seu visual para ficar de acordo com as colegas. Era uma miúda inteligente, mas a idade não a deixava ver mais além. Trabalhámos no duro para conseguir que a Carla ficasse, minimamente, em condições para carregar o peso do nome e da reputação que entretanto íamos conseguindo.
A Carla, nos primeiros meses, esforçou-se, mas aos poucos nós fomos sentindo que lhe faltava maturidade para a banda. Acabou também por sair, mas o grupo nunca perdeu qualidade porque o seu núcleo “duro” composto por mim, pela Sónia e pela Lígia estava apto a assumir todas as suas “despesas”, só que a sua imagem era de três elementos femininos e eu não queria abrir mão disso.
Foi então que uma jovem, mais madura, de seu nome Susy Rodriguez que, já há uns meses, vinha “arrastando a asa” para se juntar ao grupo, acabou por entrar e passar a ser o quarto elemento. A Susy, que conheci através de uma amigo comum, era dotada de uma boa voz, tinha estilo, tinha imagem e encaixava no perfil que procurávamos! Anos antes tinha deixado de cantar porque o namorado da altura morria de ciúmes e não queria que ela cantasse, por ter ido atrás da sua conversa 10 anos se perderam. Perguntei-lhe pelo dito e ela disse-me que já tinham acabado há muito.
Depois de a ouvir cantar e de lhe explicar as regras do jogo ela acabou naturalmente por entrar. Tinha fé nela, afinal era uma adulta na casa dos 30 mas tinha uma imagem agradável. O único senão era o facto de ser mãe de um bebé com poucos meses. Eu disse-lhe que ela não ia aguentar e não aguentou mesmo, tendo acabado por sair.
Foi quando entrou a Patrícia Cachopas, filha da minha cunhada, dona de uma imagem 5 estrelas, mas socialmente muito ingénua. Trabalhámos tudo de novo, perdi noites e perdi a contas aos dias, mas consegui que a Patrícia ficasse nas condições mínimas para subir a um palco. Mas as condições eram mínimas e o acordo era de que tinham de ser maximizadas. Não foram e a Patrícia ao fim de 2 anos teve de abandonar o barco.
Nessa altura, a Susy volta a manifestar vontade de se juntar ao grupo e mais uma vez dei-lhe uma chance, afinal o menino já estava crescidinho. No entanto, foi sol de pouca dura, problemas da sua vida particular impediram-na de continuar, voltou a Patrícia por mais uns meses, mas desta feita também não conseguiu aguentar a pressão. Foi quando apareceu a Sara.
A Sara era uma jovem de 17 anos que prometia muito. Não sabia cantar, era insegura e um pouco complexada. Mais uma vez eu meti mãos à obra e aos poucos a Sara foi suprimindo as suas dificuldades e os seus medos, tendo sido o melhor quarto elemento que até hoje passou pelo grupo. Ensinei-lhe o suficiente para não falhar, era conhecedora das regras que regem os Companhia Limitada. Perdi a conta aos dias e ás noites que passei com ela para conseguir que se tornasse numa cantora de eleição. Às vezes ela dizia-me que a criticavam porque cantava pouco e eu dizia-lhe: “Sara tem calma, tu cantas aquilo que eu sei que não tem falhas, continua a trabalhar que a tua oportunidade vai chegar”. Ensinei-lhe umas bases de piano para poder alternar comigo enquanto eu ia para a guitarra, estava a ensinar-lhe a fazer vozes, a construir harmonias vocais ao mesmo tempo que lhe dava toda a liberdade para ela cantar o que quisesse.
Só que para além da parte profissional a Sara quis mais, tornou-se um membro da minha família e durante 5 anos nós fomos a segunda família dela. Partilhamos aventuras que valem pelos grandes momentos. Foi a única que usufruiu de uma liberdade total para se sentir como se estivesse na sua casa. Mas meu querido leitor(a) se havia pessoa que sabia de cor e salteado, as regras do jogo que só a nós nos diz respeito, essa pessoa era a Sara.
Ela estava implicitamente metida em todos os esquemas de estratégia do grupo. Se ela não tivesse querido ser mais que um elemento do grupo, talvez as coisas não tivessem descambado, mas ela queria ser e foi mais que uma colega de trabalho, foi mais um familiar e quando assim é, a culpa não pode morrer solteira. Ela quebrou as regras e foi penalizada por isso. Infelizmente mais uma vez eu sou o mau da fita mas vamos a contas nuas e cruas.
No final das nossas férias, em Setembro de 2011, ao perceber que era necessário arriscar um pouco mais e ao ver como está o mercado de trabalho tomei uma decisão, pedi a reforma antecipada para me dedicar, a tempo inteiro, à música. Afinal já não sou nenhum garoto e nunca tive oportunidade de fazer, só o que de facto gosto em termos de música. Como a Sónia e a Lígia já tinham terminado as suas licenciaturas e a Sara, também já tinha terminado o seu curso técnico eu percebi que agora o empecilho era eu e vai daí meti os papéis para a reforma.
Antes do verão, tive de investir numa carrinha que ainda estou a pagar e num melhor sistema de som, para dar melhores condições ás minhas colegas. Todas estas despesas são assumidas por mim por inteiro, fora as outras, tipo manutenção. Além disso dou o meu trabalho e faço a gestão de tudo. Elas dão o seu melhor, mas o bom senso dizia-me: “Carlos cuidado elas estão a crescer e um destes dias querem ir ás suas vidas e tu ficas apeadoL”.
Não bastava o meu bom senso, como também algumas pessoas da minha relação que me diziam: “Tens um grupo fabuloso mas vai-te preparando que elas, um destes dias, batem a asa e tu ficas agarrado”. E eu lá ia dizendo Eu sei! Mas ficava na esperança de que esse dia nunca chegasse, ou chegasse depois de eu conseguir realizar todos os nossos sonhos, os meus e os delas. É para elas e para os seus sonhos que eu vivo. Quem quer ver o Carlos vê-o sempre, mas sempre, na Companhia da mulher ou então das colegas de trabalho.  
Foi por estas “miúdas”, hoje mulheres, que eu dei 13 anos da minha vida! Que me empenhei, paguei, voltei a empenhar-me, que deixei de conviver para viver esta doce realidade, dei a minha vida por isto, portanto que ninguém me ouse criticar sem saber os porquês.
Aqui ficam, explicitas, algumas das razões que me assistem, tudo o resto é do foro pessoal que morre comigo. Cada vez que sai o “4º elemento” é um pouco da minha vida que se vai com ele.
Montei shows temáticos de muito sucesso, agora vou ter de começar de novo e se não fosse o núcleo duro dos Companhia Limitada eu desta vez baixava os braços e desistia. Ainda por cima, estas situações acontecem numa altura em que a minha companheira, devido á complicada intervenção cirúrgica a que foi submetida ainda se encontra em recuperação, não me podia ajudar, pois para não a inquietar suportei todas estas cenas sozinho.
Tenho os meus limites e bati no fundo. Mas Deus que nunca me abandonou deu-me uma nova esperança. O filho do meu primeiro casamento, sempre teve um sonho de ombrear comigo num palco e nunca tal me disse! Foi pena porque tínhamos poupado muitos anos, o ano passado convidei-o a reforçar os nossos shows temáticos ABBA TRIBUTE e ANOS DOURADOS, tocando bateria, funcionava como músico convidado. Ele é bom no que faz e eu preciso de endurecer o núcleo duro dos Companhia Limitada, porque temos novos desafios entre mãos e preciso da “nata” em termos musicais para superar os mesmos.
Não quero dizer com isto que, que com a formação que tivemos até há uns dias atrás que não estaríamos à altura. Mas já que nos incompatibilizamos, eu tenho de seguir em frente, porque a minha cara e a minha palavra é que estão hipotecadas.
Não estou feliz, todas as pessoas que por aqui passaram, todas sem excepção, tiveram o melhor de mim. Errei? Mas eu não sou perfeito, só que quando há humildade pedimos desculpa e desculpa foi coisa que eu nunca ouvi da boca do chamado  “4º elemento” aquando das respectivas saídas e eu pergunto ao caro leitor(a), sabem quanto tempo é preciso para se chegar ao patamar a que os Companhia já chegaram??? E tempo é coisa que eu não tenho tanto quanto gostaria. A todas eu ensinei a maneira mais fácil de atingirem os objectivos, ensinei-lhe os truques o “B – A - BÁ” , partilhei segredos técnicos e pessoais e só porque eu não sinto que  haja ambiente para continuar eu já não presto? Então e alguém já perguntou ás pessoas que por cá passaram, o que foi que elas fizeram? Elas têm direitos e os meus??? Se o grupo acabasse agora, eu ficava com a despesa e o material e pergunto fazia o quê?????? Eu posso tocar sózinho? Poder posso mas não quero! Vou para outra banda??? Talvez podia ser uma hipótese, então e a razão do meu orgulho de 13 anos de luta, de sacrifício, de chatices, sempre a apelar ao bom senso, para agora ficar sem nada eu mereço isto???
Quando tomei decisões que não foram simpáticas ás pessoas visadas acusaram-me que fui injusto, alguém se interroga porquê??? Se há coisa que eu não sou é injusto, nem rancoroso. Então não me sacrifiquem sem me ouvirem, não me ofendam, porque eu só fiz foi bem a todas as pesosas que comigo têm trabalhado, Perco as estribeiras??? Pois mas será que não há uma razão muito forte para tal? Esta pergunta ficará sem resposta com certeza!
Para perceberem que eu não sou rancoroso e desde que as pessoas saibam conversar comigo, eu sou o chamado “CONA DE SAROLA” como diz a minha mãe ou seja, um parvalhão que ainda acredita no Pai Natal. Lembram-se da Marisa, de que atrás falei? Da menina problemática, talentosa mas insuportável? Depois de eu a ter mandado embora, ela na fúria do seu descontentamento, ofendeu-me desprestigiou-me, mas há muitos anos que ela sonha voltar para os Companhia Limitada.
Só que ela saiu de uma a maneira complicada de engolir, mas hoje a Marisa é uma mulher casada, teve de mudar e percebeu que tudo o que eu lhe disse que se iria passar, quando ela se fosse embora do grupo, lhe aconteceu. Retratou-se, é um grande talento, e nós precisamos de gente capaz, porque os desafios que se avizinham vão exigir o máximo de todos os elementos , vamos trabalhar com pessoas que também têm trabalhado ao mais alto nível e que não querem saber de picardias pessoais seja de quem for.
A Marisa trabalhou comigo 15 anos está preparada para ser uma mas valia, e acima de tudo está motivada porque esteve 7 ou 8 anos fora e sabe bem que a boca lhe amargou. Hoje é uma das hipóteses para voltar ás origens. Os Companhia Limitada são um grupo familiar, mas há regras porque é através dessa regras que os seus elementos aprendem a conviver e a respeitarem-se, por isso há 13 anos que vos damos música e a qualidade não pára de crescer. Agora com o Miguel na bateria e piano a Lígia nas congas e bateria, a Sónia cada vez melhor no baixo (Oh Matrix seja lá quem fores não te estiques que eu não posso dispensar também  “esta” ok? J, portanto não me rondes a quinta para me roubares tb uma galinha que vais corrido a tiro estás avisado! J. Para já, vai ser esta a formação base Primavera/Verão 2012.
Mas há mais, ideias para outros reforços já que agora não temos muitas hipóteses de abarcar com todos os projectos. Há que descobrir novos valores para trabalharem com os elementos base do grupo e é isso que estamos a fazer.
Para o novíssimo show da SIMARA & COMPANHIA LIMITADA, com o melhor do Brasil, para além dos seus bailarinos, vamos juntar reforços para fazer o suporte musical. Agora perguntarão vocês, mas é preciso tantos??? Não mas eu adoro fazer as pessoas felizes. Se por esta ou aquela razão eu falhei nos meus intentos, antes de me crucificarem interroguem-se porquê? Se eu nunca fui assim, se mudo de opinião, por alguma razão foi, mas a falar é que a gente se entende, só que eu gosto de falar mas também de sentir que me escutam. Todo o 4º elemento que passou pelos Companhia Limitada, continuam a ter o meu carinho, só que quando olho para trás, pergunto-me valeu a pena? Não pretendo rebaixar ninguém, muito menos fazer-me de vítima. Retratei aqui 13 anos de luta e entrega, o que aqui escrevi é uma ínfima parte do que eu tenho feito, para mim todas as pessoas que trabalharam comigo, se eu pudesse ainda hoje estavam ao pé de mim, porque eu não sei fazer as coisa por metade, entrego-me sem contrapartidas, falo por falar mas quando eu sinto que já não me escutam, desisto, mas no “amanhã” eu tenho de continuar, porque existem outras pessoas que continuam a confiar em mim e eu não as posso desiludir. Para todas estas pessoas que têm feito parte da minha vida digo-vos; Conhecem me bem, sabem bem quem eu sou e o que valho, todas elas estiveram anos ao pé de mim, portanto se eu deixei de prestar, interroguem-se onde é que falharam. A todas sem excepção digo a minha porta continuará sempre aberta. Posso me sentir magoado, mas não sou capaz de guardar rancor a ninguém. A vida não vale nada se não formos felizes, e nada como um dia atrás do outro para podermos emendar os nossos erros, ás vezes posso ser injusto, mas para todas estas pessoas que eu aqui refiro no meu desabafo o meu obrigado por terem existido na minha vida quem me conhece sabe bem que não são só palavras, afinal para todas, eu já fui a “coisa” mais importante na vida delas. Boa noite e fiquem cientes de uma coisa nunca, mas nunca vos esquecerei por isso eu quis ter este desabafo que guardava no meu coração há 13 Anos. Não é uma critica é uma homenagem á minha maneira para memoria Futura.
Tá dito? Tá feito! (Carlos Camarão mentor do projecto Companhia Limitada)

terça-feira, 20 de março de 2012

E CADÊ OS MEUS DIREITOS? ( DESABAFOS 8 )

Começo por pedir desculpa por ter escolhido um título “pro Brasileirês” para o meu “DESABAFOS 8” mas na verdade, com o novo acordo ortográfico, já não sei o que é certo ou errado. Embora tenha de ter cuidado com a ortografia, sendo certo que não estou a fazer um exame de Português, creio que me posso dar ao “luxo” de usar algum calão desde que, consiga passar a ideia, a que me proponho neste novo post.
Possivelmente, os meus amigo(a)s leitores já estarão de sobrolho franzido a pensar que, finalmente, tomei uma postura reivindicativa sobre os meus direitos civis e, quiçá, até irei começar a zurzir no Zé Inácio das finanças, o tal, que me brindou com o I.M.I. já contemplando o respectivo aumento, ou irei desferir mais uma machadada verbal sobre a troika, ou ainda que irei criar uma nova piada sobre o ar “abichanado” do Portas.
Embora eu considere, a crítica um direito democrático do qual ainda não prescindo, não estou à altura de meter a minha foice em seara alheia porque, para arrumar a “casa” dos outros tenho de tirar os meus esqueletos do armário e oferecê-los a quem goste de filmes de terror. Assim, fico bem visto, sou solidário e limpo a “alma”.
No entanto e apesar desta minha vontade de dar uma geral (entenda-se limpeza) há esqueletos que eu, por mais que me esforce, não me consigo ver livre e porquê? Porque para o fazer, eu teria de chamar os bois pelos nomes e isso poderia ferir as susceptibilidades de certas pessoas que têm a cabeça pesada (entenda-se, a consciência)J.
De maneira que, sem citar os verdadeiros nomes dos personagens da minha história, irei aqui deixar o meu ponto de vista sobre o título que escolhi para mais um “desabafo” e, como se costuma dizer, a carapuça serve a quem a enfiar.
Durante a minha já longa carreira (graças a Deus) ligada ao mundo do “show business”, tenho sofrido algumas desilusões dado que, sem querer, acabo por misturar “alhos com bugalhos”. Pois quando se trata de ajudar alguém que, por esta ou por aquela razão, precisa da minha ajuda para realizar o “tal” sonho de poder subir a um palco com uma performance, da qual não se envergonhe, eu entrego-me de corpo e alma a essa tarefa e acabo por ir além do que seria necessário, em detrimento da minha vida pessoal e familiar.
Pelo que poderei referir que me tem aparecido de tudo um pouco, ou seja, desde a jovem mais talentosa, ao cromo mais ingénuo. A todos, sem excepção, dei sempre a minha ajuda acompanhada de uma opinião sincera, sobre o que podem esperar do tal “mundo” ao qual eles sonham, um dia, pertencer.
Fico sempre entusiasmado quando vejo alguém talentoso e com capacidade de singrar. É nessa altura que me apercebo de que se tivesse tido alguém que me tivesse ajudado conforme eu o tenho feito a quem me tem procurado, a minha história ainda seria mais “rica”.
No entanto e felizmente tenho a sorte de ter uma companheira e 2 pessoas especiais, que até aos dias de hoje têm sido à prova de bala e me têm dado todo o apoio, mesmo quando eu enterro o “pé até ao pescoço”.
Ás vezes chego a acreditar que é karma e mesmo jurando que não volto a ter mais do mesmo, quando dou por mim estou novamente na corda bamba. Se disser que com os anos, eu aprendi com os meus próprios erros, estaria a mentir, a única coisa que eu tenho conseguido até aos dias de hoje, é perceber onde errei, mas pago uma factura muito alta para ser um mero assistente e o pior, é que acabo por magoar as pessoas que me amam e que sempre estiveram do meu lado.
A solução era mudar radicalmente, mas para isso, eu teria de virar um eremita e até hoje nunca fui capaz de o fazer. Foi por isso que eu resolvi começar a tirar alguns esqueletos do armário e sem me expor mais do que o necessário, passar para o “papel” as minhas queixas, catalogá-las e porque não, ouvir uma opinião alheia que, sem querer, poderá ajudar! Tipo “mezinha popular” cuja medicina convencional nunca adoptou como terapia para este tipo de maleitas.
É claro que para fazer este “E CADÊ OS MEUS DIREITOS?” e desabafar completamente, eu teria de recuar muitos anos e escrever sem rodeios sobre tudo o que me deixa cada vez mais confuso, mas esse dia ainda não chegou, por isso prefiro acima de tudo encontrar um “happy end” para a minha história social e usar o termo “o que lá vai, lá vai”, para evitar maiores constrangimentos. 
Os “direitos” que eu reclamo, têm a ver com “o mundo do espectáculo”, já que este blog se destina a registar os meus desabafos que, de uma maneira ou de outra, estão conectados com a minha actividade profissional como músico. Como ao fim de todos estes anos a conclusão é fastidiosamente repetitiva, suponho que exemplificando com um só caso, consigo expor fielmente todos os outros, que me têm acompanhado ao longo da minha carreira.
Então “bora lá”!
Um dia, a jovem Cacilda (nome fictício, já se vê) abordou-me algures nesta cidade que me viu nascer (Barreiro) e disse-me que sabia cantar J  eu retorqui, ai sabes? E quem te disse que sabias cantar? E ela muito convencida responde: a minha mãe! E eu: Ah a tua mãe, e já agora diz-me lá o que é que tu queres que eu faça? E ela: queria que o Carlos me ouvisse e me desse a sua opiniãoJ. Perguntei-lhe e que idade tem a menina? 16 Anos! Pois, mas eu só te posso ouvir cantar depois de falar com a tua mãe e arrumei logo ali a pretensão. Pensava eu!
Dias depois, aparece-me com a mãe sem eu esperar, a senhora desfaz-se em elogios à minha pessoa, ao mesmo tempo que me explica que o sonho da filha, é cantar e ser artista se possível.
Sabia que eu já havia ajudado outras pessoas e apelava para a minha bondade, já que ela não tinha recursos para me pagar. Eu suspirei fundo e pensei  para comigo “outra vez mais do mesmo, a mesma conversa de sempre”. Ainda aleguei, olhe eu bem que gostava mas não tenho muito tempo disponível não sei se me entende? No entanto a senhora não desarma e põe-me a K.O. com um, por favor oiça lá a miúda que ela nem dorme descansada.
Desta feita, enchi o peito de ar e pensei, será que desta vez vai dar certo? Olhei para a cara ansiosa da miúda e?... Bolas, também tenho uma filha quase com a idade dela e também gostaria que a ajudassem se fosse preciso. Assim, lá dei o meu aval e ficou combinado que ela iria à sala de ensaios fazer uma demo das suas potencialidades.
Entretanto vou para casa e pelo caminho penso, e agora Carlos como é que vais dizer à tua mulher que existe um novo personagem nos horizontes sociais da tua vida? Pensei, faço uma campanha de charme? Apareço em casa com a maior cara de pau e com um ramo de flores na mão? Compro-lhe um perfume? Nada disso! Ela é uma mulher fantástica por isso eu casei com ela, embora eu não seja difícil de aturar, ela é que tem apanhado por tabela com as minhas desilusões e vai mais uma vez ficar do meu lado, porque melhor do que ninguém sabe, que tenho o péssimo defeito, entre outros de não saber dizer não.
Muito calmamente explico o melhor possível o que se passou e fiquei quietinho à espera do trocoJ, mas mais uma vez ela pacientemente diz-me! Vale a pena eu dizer que não te metas nisso, porque te vais magoar? Eu para não perder a embalagem “arrefinfo” com um ar circunspecto, vais ver que se calhar vai valer a pena, pelo menos vou ouvir a miúda. A minha mulher encolhe os ombros e remata lá vamos nós outra vez, começar tudo de novo, não estás já farto de perderes tempo com quem não merece? Depois sofres tu e fazes sofrer quem gosta de ti, tu és um miúdo grande que se há-de fazer. E a conversa ficou por ali num acordo tácito de companheirismo e capacidade de desculpar quando se ama.
Dia D fui ouvir a CacildinhaJ … Bem, não superou as minhas expectativas, mas percebi que tinha estofo para fazer melhor, isso foi ponto assente. Ainda assim, tentei mais uma vez descartar-me, mas foi em vão, aquele olhar de que o mundo acabava para ela se eu não lhe desse a mão, foi mais forte e pronto, lá selamos o nosso acordo, que consistia em nada de mentiras, muito trabalho, prontidão, responsabilidade etc. etc. Relativamente a namoricos ou outras cenas similares teria de haver a certeza de que nunca iriam influenciar o nosso trabalho. Pedi-lhe, acima de tudo, que não se expusesse demasiado publicamente porque se o fizesse estaria a expor-me a mim e eu não me podia dar a esse “luxo” porque, acima de tudo, tenho uma imagem e um nome a defender.
Depois citei-lhe uma série de exemplos de outros casos em que, sem ser perdido nem achado, eu fui metido à baila. Expliquei-lhe que a sociedade iria começar a vê-la comigo, o que apesar de não trazer nada de novo, a iria obrigar a que, na minha ausência, tivesse de agir com cabecinha, para que eu não viesse a apanhar por tabela. Falei-lhe da Irina (nome fictício) que, para não ir para casa sozinha de autocarro, eu ia levar à porta de casa e que assim que eu virava costas se deslocava para o parque da cidade para ir ter com os amigos, onde permanecia até às 3,4 da manhã e a mãe a pensar que ela estava comigo nos ensaios.
Apontei-lhe o caso da Rita que, face à minha estúpida mania do proteccionismo e à semelhança da Irina, ia levar a casa depois dos ensaios, apesar de, à sexta-feira, ela ir com a mãe para a danceteria Magic, onde bebia cervejolas como eu bebo copos de água e repare o leitor que estou a falar de uma miúda de 15 anos, na altura.
Depois para não me alargar com mais exemplos terminei com o exemplo da Lúcia que jurava que não era como as outras. Ao pé de mim tinha direito a tratamento VIPJ só que depois, andava com amigos que tinham, ao que parece, esquemas que envolviam droga e um dia quando dei por mim tinha a PJ à pernaL, dá para acreditar? Pois mas é a pura das verdades. São nomes fictícios mas elas sabem bem do que eu estou a falar.
E neste caso da PJ tive de me explicar muito bem explicado, a sorte é que a Lúcia já tinha 21 anos e pôde livrar a minha pessoa, assumindo que eu não sabia de nada. E logo eu? Que nem sequer fumoJ.
Portanto a Cacildinha ficou bem avisada que se metesse o pé na argola ia logo “ca-da-mãe-ás-costas”. Quem não engoliu isto muito bem, foi a minha mulher, afinal esta história era um autêntico “déjà-vu”, mas como sempre, ela fez-me a vontade, não sem jurar que era a última vez, porque não queria que eu perdesse tempo com mais cenas de faca e alguidar.
A Cacildinha, encheu-se de brios e então passou a ser Deus no Céu e o Carlos na Terra. Era de manhã, à tarde, à noite, fins-de-semana, dias santos, feriados municipais e outros que tais. Não havia horas nem limites, o mundo continuava fora daquelas 4 paredes, mas para ela só existia a música. Eu ao ver tanto entusiasmo, deixei-me levar outra vez.
A Cacildinha passou a fazer parte do meu mundo e consequentemente da minha vida e dos meus familiares. Aprofundou as suas relações de amizade com a minha casa e família e tudo corria a todo o vapor. Estreou-se um dia num show em que eu participava e a alegria dela era contagiante, os seus olhos eram de um agradecimento total que eu continuei a investir na sua formação, tudo a custo zero.
Até que um dia sem mais nem menos a Cacilda começou a perder o gás, os olhos deixaram de ter aquele brilho, ou pior, passaram a ter outro brilho, que eu tão bem conheço de outros carnavais e mudou radicalmente a sua conduta. O porquê, não tem muito interesse para o leitor. Não foi por falta de apoio, motivação ou trabalho, foi por causa daquelas “coisas” que a gente não sabe se chove ou se molha.
Andei uns dias à deriva até que tomei uma posição e a Cacilda, que tão cuidadosa tinha sido, no sentido de manter uma imagem que já não correspondia à realidade, deixou cair a mascara por terra e eu passei a ser um intruso na vida dela. Ainda se esforçou para agradar a gregos e a troianos mas não o conseguiu, até que se deu a ruptura total e lá se foram mais anos da minha vida deitados ao lixo.
Na mesma altura, eu tinha escrito de raiz um musical que está na gaveta há muitos anos, não o produzo porque não consigo arranjar matéria-prima para tal, mas já esteve a 30 dias de ser estreado, só que, depois de ano e meio de ensaios os pais de uma das protagonistas, comunicam-me que a menina queria ir a Angola ver o irmão e passar umas férias com eleL.
O mais caricato neste caso, é que queriam que fosse eu a impedir a dita jovem de partirJ. Dá para perceber este anedotário todo que já descrevi? Garanto-vos que estou a minimizar, porque existem exemplos ainda mais ridículos para contar, mas ainda não chegou a altura certa.
Mas voltando a esta última personagem de seu nome Berta, olhei para os pais e disse-lhes: Vocês estão a brincar comigo não? Então eu ando em ensaios há ano e meio, gastei dinheiro em microfones, promovi lanches infindáveis para manter toda a gente unida, neste caso os intervenientes e os pais que assistiam aos ensaios também e agora vocês querem que eu assuma uma responsabilidade que vocês pais é que têm de assumir? Resposta deles, pois é Carlos mas ela diz que está com saudades do irmão e é um direito que ela temL.
Depois destes exemplos alusivos ao título deste post, vou ainda focar a tirada de uma jornalista que um certo dia me perguntou se eu não achava que estava a ser injusto ao querer impedir uma certa jovem de seguir os seus sonhos!
Injusto? Eu como sempre fui um não alinhado, respondi assim;
Então você sem me conhecer de lado nenhum, sem ouvir a minha versão “caga postas de pescada dessa maneira”? Carrega a jornalista novamente, então mas o Sr. percebe que é um direito que ela tem ou não?
E eu!
Direito?
Então eu dou anos da minha vida, altero as minhas rotinas, abdico do meu descanso, assumo os problemas dela como se fossem meus, dou-lhe de comer, beber, dormir, deixo-a partilhar as férias com a minha família, endivido-me para lhe proporcionar melhores meios de trabalho, assumo as responsabilidades dos contactos, contractos, parte fiscal, trato da imagem dela, da postura, das inseguranças, ensino-lhe a maneira mais rápida de chegar aos objectivos, evito que se exponha etc., etc., etc… acabando por não ter tempo para mim nem para a família, porque enquanto ela está na curva ascendente, eu tenho a perfeita noção de que para mim o tempo corre 10 vezes mais depressa e se eu quero chegar ainda a algum lado não posso facilitar, corro contra o tempo, tenho orgulho no que faço e no que consegui que ela faça e, de repente, ela quer saltar fora porque tem direito a sonhar, não interessa com o quê e deixa-me ficar com uma mão atrás e outra à frente a ter de recomeçar tudo de novo, só porque ela tem o direito de?
Então e eu sou o quê?
Lá porque ela tem o direito de sonhar, eu tenho de abdicar dos meus sonhos sem no mínimo reclamar, gritar a minha revolta, por tanta ingratidão?
Ainda por cima bem avisada, desde a primeira hora, do que eu já tinha passado para nunca me magoar, agora tenho que ficar calado porque ela tem direitos?
E o mais preocupante é que ao fim destes anos não é “ela”, são elas, as pessoas, que me sugam até ao tutano, numa atitude de puro egoísmo? Algumas, nunca quiseram saber como é que ficavam a minha mulher e os meus filhos quando eu passava horas a fio a ensinar, a dar-lhes injecções de auto estima, e massagens de ego, agora só porque mudam de ideias, alteram as regras do jogo e bye, bye, oh parvalhão! É caso para dizer
MERDA! L J L J
Felizmente não há regra sem excepcção, só que a minha motivação para  começar de novo é como a situação do nosso País, lenta, sem brilho, sem fio condutor e ruinosa. A diferença é que pelo País pouco posso fazer, mas por mimJ por mim ainda consigo acreditar que consigo mudar para melhor. Conto para isso com as “mesmas pessoas” do costume, para me guiarem e me protegerem.   
Eu assumo que sou um bobo que não aprende por mais pancada que leve, mas deixem-me que pergunte,
E CADÊ OS MEUS DIREITOS?
Tá dito Tá feito
Carlos Camarão (Mentor do projecto musical Companhia Limitada)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MEUS RICOS MENINOS! (DESABAFOS 7)

MEMÓRIAS COM "TUTANO" !

Os Pais têm os filhos que merecem! A expressão não é minha, tanto quanto sei trata-se de uma frase de cariz popular. Embora a tenha ouvido inúmeras vezes ao longo da minha vida, confesso que nunca estive muito de acordo com ela. (a frase)  Não há regra sem excepção,  Mas, dá que pensar pelo menos! Ora leia por favor.

Em boa verdade lhe digo que a super protecção que alguns Pais dão aos seus filhos  fazem-me lembrar os conselhos que Cristo deu aos seus apóstolos para no fim ser atraiçoado por um Judas qualquer. (esta “tirada” ainda são efeitos da Páscoa passada)

No meu deambular por festas e romarias em que há 43 Anos participo, profissionalmente falando, tenho  assistido a  verdadeiras anedotas de comportamento social que só visto, pois contado é capaz de não ter graça, no entanto deixe-me tentar.

Nos chamados "compassos de espera"  até  que entre em "acção"  dedico-me à observação do meio ambiente que me rodeia na altura, não que eu seja muito pródigo nesta faceta, porque na verdade sou um despistado do caraças, mas quando tenho à minha frente “terrorzinhos” entre os 6 e os 10 Anos que teimam em dar cabo do meu  património enquanto os Paizinhos e as Mãezinhas  estão a "cantar farol" para os “amigos” de ocasião passando eu de músico a babysiter, as coisas mudam de figura.

As histórias verídicas que eu tenho para vos contar nesta área são mais que muitas, mas para não maçar os “meus leitores”, vou-me cingir a duas apenas. Uma podia ter acabado de uma forma “dramática”, a outra quanto a mim foi deliciosamente hilariante.

Então “bora lá”.

Certa Dia fui fazer uma festa de casamento algures numa das muitas quintas onde costumamos actuar, nesse Dia estava o que se chama um tempo de “xaxa”, vento, chuva, frio enfim, pouco convidativo para cocktails ao ar livre, de maneira que os responsáveis pelo catering á falta de alternativas optaram por “enfiar” todos os convivas dentro do salão onde iria decorrer a boda.
Até aqui tudo bem, ainda por cima o salão era enorme. Nós músicos tínhamos o nosso estamine daquele dia num dos topos do salão e havia uma distância de cerca de 20 metros entre nós e as primeiras mesas. Após o cocktail e as fotos da praxe, lá chegou a altura do almoço. Como já me tinha apercebido que naquela festa havia muitos “fofinhos” dispensei as minhas tropas e lá fiquei de guarda ao castelo, afinal já são muitos Anos a ver cenas tristes e já me tornei uma espécie de vidente nesta área. Estava eu ainda a fazer as previsões para o repertório dessa tarde, quando vinda não se sabe de onde, uma bola de futebol cai a escassos metros do palco! Uma bola dirá você? Sim! uma bola bem redondinha made-in-China que me fez arremelgar o olho para a catita e pensar! Mau querem ver que vai haver futebol de salão e eu não fui avisado?

Ainda eu estava a procurar uma boa desculpa para aquela situação, quando um “marmanjão” com aspecto de armário já na casa dos trintas e picos,  salta da cadeira e qual Ronaldo desata furiosamente aos pontapés na "chicha" fazendo da parede lateral do salão uma  baliza. Eu não queria acreditar no que estava a ver e ainda por cima o dito cujo desafiava ferozmente o seu “rebento” a discutir a posse da bola em fintas de "cu aberto" sob o olhar babado da mamã (do rebento claro) que pela cara dela,  devia de estar a ter um daqueles orgasmos tântricos que agora estão tanto na moda nestas gerações de chicos espertos. O marmanjão dava “chutes” na bola que até ecoava pelo salão e eu  à espera que alguém responsável acabasse com aquela palhaçada.

Ao fim de uns bons 15 minutos de tristes figuras com o patrocínio de outros papás que resolveram aderir à jogatina, lá chegaram as terrinas com a sopa e eu pensei...Ufff “tava” a ver que não! Mas qual quê? Foi a vez dos“anjinhos”, “fofinhos” entre outros “inhos” voltarem à carga para mais uma futebolada entre eles.

Só que desta vez os papás estavam entretidos a trocar histórias de como os seus espermatozóides tinham sido capazes de procriar tão garbosos mancebos, como se fossem uns heróis e os “danadinhos” sem nenhum adulto para controlar a cena resolveram que a baliza seria na direcção onde eu tinha o meu material e onde pacientemente aguardava pelo desfecho do jogo. “Tão” a ver a cena do próximo capítulo né?.. Pois!

Ao fim da quarta vez em que forçadamente defendi a bola, resolvi aplicar a táctica do “ralho” de uma forma educada para não ferir as susceptibilidades dos “queridos” e com palavras do género meninos tenham cuidado, meninos vão papar, meninos olhem que podem estragar aqui a música, tudo na maior mariquice claro. Com o passar do tempo o meu “level” de voz foi aumentando e o meu discurso começou a ficar mais acutilante do tipo; Já me estou a chatear com vocês, já chega, daqui a pouco fico com a bola, ao mesmo tempo que punha o meu melhor sorriso de cínico que conseguia encontrar para a ocasião. Eles ainda vacilavam entre 10 a 20 segundos, só que olhavam para os Papás e ao contrário de verem ou ouvirem uma reprovação da parte deles os "matchos latinos" eram sorrisos do género partam essa pôrra à vontade  que isso não é nosso.

Ora bem escusado será dizer que nem no melhor filme de Cowboys e índios eu consigo retratar as investidas de cavalaria de que fui alvo.
Até que numa determinada altura fui obrigado a atirar-me para o relvado para segurar um microfone que tinha caído do tripé vítima de uma bolada certeira que eu não consegui suster L.

Nessa altura passei-me e gritei! Gritei sim!.. a “sorte” calhou ao primeiro que estava ao pé de mim... ACABOU-SE O JOGO!.. O anjinho que se calhar até achava muito natural jogar à bola dentro de casa, que se calhar, digo eu também o faz dentro da sala de aulas, que a rir chama puta à mãe e cabrão ao Pai e eles acham imensa piada porque ele já sabe dizer palavrões, desopilou dali para fora e foi a choramingar para o pé do papá.

Este por sua vez ficou incomodado com a minha atitude e vem em tom recriminatório cobrar a minha maneira de falar, e diz-me: O srº acha (vá lá tratou-me por srº) que isso são maneiras de falar para uma criança? Sabe que o pode traumatizar?

Eu fiquei sem saber se havia de o mandar para o Pai da humanidade, ou mandá-lo falar com ele!

Mas ainda lhe disse delicadamente, O srº sabe Há quantas horas é que eu estou aqui de guarda para evitar que o seu menino me dê cabo da minha ferramenta de trabalho? Eu estou aqui para trabalhar não para ser ama-seca do seu menino não acha? Aliás o srº nem devia de ter permitido que ele começasse a ter atitudes destas numa festa de casamento Não acha?!... Resposta do Papá... Não se preocupe porque se ele partir alguma coisa está aqui alguém que paga os estragos e virou-me as costas (Sem comentários)...

Fiquei a pensar que tipo de filho será este anjinho no Futuro onde as regras mais simples da boa educação não existem, cujo pai acha natural que o petiz esteja a molestar terceiros sob o olhar cúmplice do seu progenitor e que sem tomates para passar um correctivo adequado ao filho ainda vem tirar explicações achando o meu “ralho” de ACABOU-SE O JOGO traumatizante! Pois é será que Hitler, Mussolini, Sadam Hussein entre outros filhos da “P....” não tiveram um Pai Assim?

Resumindo se por acaso a nossa troca de impressões descamba mais, ainda tinha de chamar os meus bodyguards para darem uns tabefes no marmanjão, não acham?

Este Papá até tinha aspecto de ser uma pessoa bem na vida (atenção!) Eu disse bem na vida e não de bem com a vida, mas quis o destino que ele fosse o “tal” que iniciou a futebolada portanto está tudo dito. Por mim que até sou fan do Dr. House faço já o diagnóstico neste caso.MAU FEITIO GENÉTICO!

Agora se tiver paciência leia este segundo caso!.. (Vai ver que não se arrepende)

Once upon a time One litle criancinha (pedagógico né) chegava a uma determinada festa pela mão da sua garbosa mãe que segurava numa mão um cigarro long size e na outra um sumo (acho eu) e qual pastora, trazia à sua frente um fofinho para aí com 5 aninhos de rodagem, que já vinha a “cabrear” desde que saiu do carro, fazendo uma birra cujo motivo desconheço (como se eles precisassem disso) e atirando guinchos que entravam pelos ouvidos dentro como se fossem agulhas. Eu estava para aí uns 10 metros deles faço ideia o que seria “in loco” (dá style estas palavras).

O Paizão um jovem dos seus 30 e poucos anitos de cabeça rapada para dissimular a calvície (Ele não sabe que é dos carecas que elas gostam mais?) fumava a sua cigarrada também e estava a achar imensa piada aos guinchos do fofinho. Bem até aqui nada de novo dirá você! Então para mim, pffff já tenho calo no rabo como o macaco, mas confesso que este puto me "cativou" a atenção e decidi seguir a brilhante performance do petiz.

A mamã muito bonita e elegantemente vestida trazia uma proeminente barriga a mostrar que o seu homem era realmente macho. Sim porque macho que é macho faz filhos. Ou seja, primeiro dão ao cu, depois logo se vê quem é que os atura! Os filhos claro.

A mamã estava visivelmente irritada e lá ia dando uns “ralhitos” verbais porque qualquer outro tipo de correctivo como uma bela palmada estava fora de questão.
Porque  uma agressão é uma agressão! Nos tempos que correm esse tipo de "actuação" paternal começa a ser tabu, mas longe de mim estar aqui a criticar, esta atitude é somente a minha opinião e já explico porquê! Adiante...

(pausa para almoço)..SorryJ

Voltei para acabar a minha “tese” e já estive a rever o que escrevi!  Pronto não devo estar bom da tola para escrever estas coisas mas já que comecei acabo.

Escrevia eu que a mamã estava muito irritada mas o JôJô é que não estava para os ajustes e então vai de espernear, atirar-se para o chão, biqueirada nas cadeiras de plástico e o Pai muito babado dizia... Eh pá o gajo tem o mesmo génio que eu J quando as coisas não lhe corrrem bem, vai lá vai. A mamã é que não estava muito satisfeita e já olhava de soslaio para o seu  garanhão, entretanto uma vizinha já incomodada com tudo o que se estava a passar opinava, umas palmaditas ás vezes resolvem essas birras, responde o Pai... não minha senhora, as coisas não se resolvem com pancada, os meus pais nunca me bateram e isso nunca me tirou da linha e tal e tal e bla bla bla. A pobre mamã já não sabia o que fazer depois aquela barriga já em avançado estado de gravidez retirava-lhe toda e qualquer elasticidade para ir buscar o petiz ao chão quando este teimava em se deitar e esponjar. O fatinho creme já era uma nódoa pegada e ainda não tinham começado a comer, nas mesas em redor os outros convidados lá iam pondo os dedos nos ouvidos quando o anjinho resolvia soltar os seus maravilhosos guinchos que segundo o pai já era hábito dele por isso não havia dúvidas aquilo era birra e mais nada...
Bem estas cenas maravilhosas duraram cerca de meia hora (não esquecer que ele já tinha chegado naqueles propósitos), até que finalmente veio o almoço!

A mamã queria que ele se sentasse na cadeirinha que tinham arranjado para o rebento ficar á mesa mas o anjinho não parava de dar os seus guinchos até que a determinada altura a mamã GRITOU... JôJô se gritas mais uma vez levas umas palmadas no bum bum...O pai retorquiu qual galo na capoeira, violência não! Os meus pais nunca me deram uma palmada sequer, anda cá JôJô (e levantando a voz para a plateia) queres ver como é que se ensina? Senta-te ao colo do Papá e vamos papar ta bem lindo? O lindo fez uma cara feia e a contra gosto lá se sentou ao colo do pai... este por sua vez ainda se levantou e enquanto uma mão segurava o petiz, a outra habilmente desenvencilha-se do casaco e num gesto de malabarismo passou o puto de uma mão para a outra e zás casaco fora, mostrando uma imaculada camisa de marca (não digo a marca que ninguém me paga para isso), depois ajeitou a gravata, esboçou um sorriso de escárnio para a mulher e alguns sorrisos cúmplices com outros machos como a dizer eh...eh..mulheres!

Parte final: Imaginem um rufo de tarola como se estivessem num circo prestes a assistir a um número perigoso... agora fechem os olhos e visualizem a cena!.... Pois se fecharem os olhos não podem ler que estupidez a minha! Bem, vamos lá esfolar o rabo.

Veio a sopita o JôJô não queria comer, o puto esperneava e a mamã já estava a pau com a sua barriguinha e não era caso para menos, o papá continuava a dar uma de macho intelectual de quem está na mó de cima sem perder o perfil, o empregado deita duas conchas no prato pede licença e vira as costas, então não é que no mesmo instante o JôJô espeta uma bela palmada mesmo no meio do prato cheio de sopa...ai...ai...ai o macho ficou com a pôrra da camisa toda suja, a sopa escorria-lhe pelas calças abaixo, o puto agora sim chorava com razão pois queimou a mãozita e surpresa das surpresas o papá pega no puto com uma mão e com a outra puxa a culatra atrás e dá-lhe uma série de palmadas que o miúdo apesar de lhe doer a mãozinha parou logo de chorar?

A mamã grita com um ar vitorioso. Então Dr. bateu no menino? E ele o Dr. da mula ruça muito acabrunhado responde. Bati sim! A paciência tem limites. Pois!....

Entretanto o puto salta do colo dele e desata a correr direito á rua, o papá que estava amuado a limpar a camisa aparentemente esteve-se nas tintas e foi a mamã que teve de ir a correr em cima dos seus saltos altos de 10cm, atrás do miúdo sujeita a cair e a arranjar um grave problema para a sua gravidez.

No meu caso pessoal confesso que o meu Pai espetou-me algumas “tareias” nada de paus ou cintos só mãos e sabem porquê? Porque por algumas vezes lhe assaltei os mealheiros que ele fazia com tanto carinho mas que eu habilmente conseguia com a ajuda de uma tesoura sacar as notas de 20 paus para ir para a gandaia, só que às vezes a tesoura falhava e cortava as notas. Depois quando ele achava que o mealheiro estava e fazer dieta e a perder muito peso rapidamente tinha um palpite, abria a lata e encontrava as notas cortadas nas pontas. Claro não podiam ser ratos, primeiro porque não cabiam lá, depois porque os ratos roem não cortam. Enfim se o meu pai não me tivesse admoestado e me tivesse feito doer, não sei se hoje não seria um potencial vigarista habituado a viver á pala dos outros ou um habitué das estâncias de férias do Linhó, ou do Pinheiro da Cruz. Por isso abençoadas “pisas” que eu levei porque afinal eu merecia. E quer  acreditem ou não as mazelas que eventualmente eu possa ter hoje não têm nada a ver com as reprimendas do meu pai e ainda vos digo só se perderam as que caíram no chão. Não sou a favor  da violência, tenho 2 filhos e nunca lhes bati, vontade não me faltou, mas não “mamaram” porque não calhou, a minha protecção é que tem limites e não a minha paciência.

Ainda há um Mês atrás num torneio de karate para juniores vi atletas a lutarem com lealdade procurando vencer sem magoar tudo dentro das regras e vi Pais a gritarem palavras de ordem do género dá-lhe pá, com força pá, não tenhas medo, parte –lhe as trombas, vai te a ele etc. etc...  no entanto é por estas e por outras é que os fofinhos de hoje dão em maricas amanhã (não confundir com gays) mas isso fica para outro Post, são uns irresponsáveis e depois quando já estão fartos de boa vida muitos começam a pisar a red line e depois lá vem a célebre frase. Anda um pai a criar um filho com tanto amor e carinho para depois.......
È no presente que se constrói o Futuro, para se ser um bom Pai tem de ser um bom filho primeiro.
Quem nunca errou que atire a primeira pedra, mas para os que andam com ideias de procriação antes de darem ao cu pensem bem se tem condições para meter uma criança no mundo e nunca mas nunca os tratem como um brinquedo que se pode partir a qualquer momento.
Quando eu era miúdo brincava muito com papagaios de papel eles voavam ao sabor do vento sim, mas quem tinha a guita para os fazer descer era eu e quando ele se descontrolava  por alguma rajada de vento súbita, eu estava lá para no mínimo ajudar.

Não sei se a minha conversa faz algum sentido para alguém. Para mim tornou-se mais claro que proteger não é ser moderno e liberal. Proteger é sensibilizar, responsabilizar e respeitar o próximo. Tenho dito

Tá dito, Tá feito! (Carlos Camarão mentor do projecto musical Companhia Limitada)